sábado, outubro 22

Piñon




"Sou diariamente perseguida pelo espírito da narrativa. Sei que o mundo é narrável e que a arte, em meio ao desespero e à desesperança, alcança e interpreta as dimensões humanas".

Nélida Piñon, em O Presumível Coração da América.

quarta-feira, outubro 19

C. S. Lewis e os Literiamente Iletrados


C. S. Lewis



Já faz algum tempo que venho pensando em levar a literatura a sério na vida. Isso implica deixar o Direito e essa vida cinzenta e normativa. A ideia central desse projeto maluco de vida é ler por profissão, investir na crítica. Pensando nisso, venho mapeando algumas leituras que, penso, podem me ajudar na preparação para essa mudança.


Dois livros me chamaram atenção neste mês: “A Análise Literária”, do Massaud Moisés, e “Um Experimento de Crítica Literária”, do C.S. Lewis.


Quero me deter no livro do Lewis. Um dos ensaios do escritor trata da leitura dos literariamente iletrados. É uma análise curiosa sobre a experiência da leitura. Para Lewis, a formação intelectual diz muito pouco sobre o ato de ler do sujeito, que pode ser considerado iletrado ainda que tenha o hábito constante da leitura.


O leitor literariamente letrado é aquele que considera o valor em si mesmo da literatura, para além de sua importância instrumental – um livro pode ser bom não porque ensina algo edificante, ou provoca risos e angústia, mas simplesmente porque o modo como foi escrito é especial, o estilo é bem cuidado, a construção do texto, artística.


Essa análise parece ser útil para explicar algumas observações sobre determinados tipos de livro, em especial os best sellers. Quando tive a oportunidade de ler O Código da Vinci, terminei a leitura em um dia e meio, vidrada na história policialesca. Sem dúvida, se for indagada sobre o livro, diria que o li, que o li até o final e que o li rápido, em pouco tempo, aproveitando a leitura como um excelente divertimento. Mas se perguntasse se o livro é bom, a resposta é necessariamente negativa. Como literatura, O Código da Vinci é um desastre: excesso de adjetivação, clichês, estrutura narrativa linear, personagens pouco criativos. Enfim, é uma literatura pobre. Acho que caminharíamos bem se pudéssemos ter a dignidade de aceitar que determinados escritores são importantes, não porque escrevem bem, mas porque cumprem satisfatoriamente um papel social, o do lazer. Afinal, quem nunca se emocionou assistindo a mais açucarada e óbvia das novelas?

sexta-feira, março 12

Chororô


Eis o livrinho que me fará companhia na cansativa viagem de ida (e volta) à Fortaleza, amanhã, para ver o meu amor e minha família. Recém-lançado, comprei com o meu bônus na livraria da vila. Espero que seja bem aproveitado. Na contracapa, se lê:



"Os habitantes da aldeia do Pêssego, no sopé da montanha do Norte, são proibidos de chorar. Para manter os olhos sempre secos, a órfã Binu aprende a chorar pelos cabelos, e é isso que ela faz quando o jovem marido é levado à montanha da Grande Andorinha para trabalhar na construção da Muralha da China. A saga de Binu, que percorre centenas de quilômetros para entregar um casaco ao amado, é um mito milenar chinês, transmitido oralmente de geração em geração e recontado aqui por Su Tong. Ao longo da jornada, entre inúmeros perigos e maravilhas, Binu se depara com um mercado de gente, é aprisionada por meninos-cervos e acorrentada a um caixão de defunto. Acusada de louca e de feiticeira, vê a morte de perto mais de uma vez. Por trás da fantasia da fábula, Su Tong desvela a maneira como a cultura e a sociedade chinesa têm sido percebidas ao longo dos séculos. Fala também de sentimentos universais, como o amor e a persistência contra as injustiças e adversidades. "


Visão da praça de dentro da catedral



Bem me quer, mal me quer...




Para chegar à faculdade de metrô eu faço o seguinte trajeto: embarco na estação consolação, linha verde, salto na estação paraíso para uma baldeação, embarco novamente em direção a tucuruvi e, enfim, chego na Sé, cuja estação fica a duas quadras da faculdade. Hoje, apesar de não ter aula, precisava pegar um material na xerox e não resisti, dei uma passadinha para conhecer a catedral por dentro.



Tenho uma queda por igrejas e templos. Apesar de não ser religiosa, a paz e o silêncio me deixam tão tranquila que cheguei a passar horas explorando mosteiros e igrejas antigas quando fui à Itália, há alguns anos, numa viagem que aproveitei muito pouco, para ser sincera. Seguem fotos do lugar que, de fato, é mágico.

quinta-feira, março 11

De volta à razão e ao diálogo...


Minha pesquisa é focada na justificação dos direitos fundamentais, analisando especificamente a adequação dos modelos de ética procedimental para esse fim. Continuando as leituras durante a tarde de ontem, comecei o fichamento da obra “Ética Mínima”, da filósofa Adela Cortina, que se declarada filiada à corrente da ética da discussão como concebida por Karl-Otto Apel.

A obra se mostra interessante, pela organização do temas, dos mais simples, como a explicação dos termos, aos mais complexos, como o problema da fundamentação moral no direito e na política. Ontem eu estava sonolenta e me sentindo um pouco cansada, então não notei muita fluência na leitura. Não posso dizer se foi por descuido meu ou porque realmente o texto é truncado, mas o que importa é que depois de algumas tentativas eu consegui avançar na compreensão sistemática das ideias.

Um aspecto que me pareceu interessantíssimo – estou aguardando a biblioteca reabrir para buscar direto na fonte – é a análise Max Weber sobre a criação, na Modernidade, de um “sistema de complementaridade” entre a esfera pública e a esfera privada, dentro de uma lógica liberal, a fim de justificar que o campo de normatividade moral e jurídica não é passível de fundamentação racional. O argumento é apresentado por Apel como um dos principais problemas ao resgate de uma filosofia prática capaz de oferecer razões plausíveis para as normas orientadoras do agir humano como agir verdadeiramente livre. Para Weber, a racionalidade moderna é identificada com o conhecimento científico, de modo que toda e qualquer especulação que não tenha o objeto diante de si não pode ser considerada científica e, portanto, racional. Isso nos leva a conclusão de que a moralidade, por lidar com um objeto imediatamente abstrato, não pode ser racional e, portanto, não é capaz de justificação. Isso leva a uma retomada do convencionalismo (que nos remete muito muito a Rousseau, como salientado por Habermas) e também do decisionismo na esfera pública: as normas são válidas porque nós queremos que sejam válidas. Como superar filosoficamente o paradigma positivista e retomar a discussão pelo fundamento?

Essa reflexão precisa ser lapidada, claro, com as fontes, mas me parece o ponto de partida para a análise da retomada da hermenêutica e da lógica material como orientadores da construção e aplicação do direito no pós-guerra, que é a introdução do artigo que estou escrevendo para o CONPEDI. No ritmo que as coisas vão, não sei se consigo terminar até 5 de abril, especialmente agora que tenho ficado cada vez mais cricri com as referências. Vamos acompanhar.

Da Estrutura Econômica aos Direitos Humanos

Celso Furtado






Ontem tive aula com o professor Calixto Salomão, na disciplina “Teoria dos Direitos Humanos”, que também contará com a participação do professor Fábio Comparato. Fiquei empolgadíssima com o programa, considerando que o professor escolheu uma linha de reflexão para pensar os direitos humanos, para além de uma teoria generalista – e, por que não dizer, vazia. Minha experiência com essa disciplina no mestrado foi a pior possível, pela falta de preparo do professor, pela antipatia geral à sua pessoa, pelas expectativas inteiramente frustradas em relação ao engrandecimento teórico.

Tanto melhor, agora posso recomeçar com o pé direito, numa perspectiva interdisciplinar que me agrada muito. Isso porque o professor decidiu abordar, como temas principais: a) o problema da efetividade – estruturas econômicas e direitos humanos; b) afirmação histórica dos direitos humanos; c) a realidade atual dos direitos humanos.

A ideia central será: as estruturas econômicas exerceram um grande papel na determinação do arcabouço institucional brasileiro, de modo a perpetuar um sistema de exclusão onde o crescimento econômico geralmente está associado ao crescimento da pobreza. A leitura principal, obviamente, vai ser Celso Furtado, com o seu A Formação Econômica do Brasil. Na bibliografia, muitos economistas e historiadores, com predominância dos ingleses. Já para semana que vem:

1) Celso Furtado – Formação Econômica do Brasil (Fundamentos Econômicos da Ocupação Territorial; Economia Escravista de Agricultura Tropical)
2) R. Blackburn – The overthrow of colonial slavery
3) Calixto Salomão – Monopólio Colonial e Subdesenvolvimento

Vamos começar a brincadeira, São Paulo!

quarta-feira, março 10

Nobreza

Fotos do salão nobre da faculdade, onde ocorrem as grandes cerimônias e celebrações.