Já faz algum tempo que venho pensando em levar a literatura a sério na vida. Isso implica deixar o Direito e essa vida cinzenta e normativa. A ideia central desse projeto maluco de vida é ler por profissão, investir na crítica. Pensando nisso, venho mapeando algumas leituras que, penso, podem me ajudar na preparação para essa mudança.
Dois livros me chamaram atenção neste mês: “A Análise Literária”, do Massaud Moisés, e “Um Experimento de Crítica Literária”, do C.S. Lewis.
Quero me deter no livro do Lewis. Um dos ensaios do escritor trata da leitura dos literariamente iletrados. É uma análise curiosa sobre a experiência da leitura. Para Lewis, a formação intelectual diz muito pouco sobre o ato de ler do sujeito, que pode ser considerado iletrado ainda que tenha o hábito constante da leitura.
O leitor literariamente letrado é aquele que considera o valor em si mesmo da literatura, para além de sua importância instrumental – um livro pode ser bom não porque ensina algo edificante, ou provoca risos e angústia, mas simplesmente porque o modo como foi escrito é especial, o estilo é bem cuidado, a construção do texto, artística.
Essa análise parece ser útil para explicar algumas observações sobre determinados tipos de livro, em especial os best sellers. Quando tive a oportunidade de ler O Código da Vinci, terminei a leitura em um dia e meio, vidrada na história policialesca. Sem dúvida, se for indagada sobre o livro, diria que o li, que o li até o final e que o li rápido, em pouco tempo, aproveitando a leitura como um excelente divertimento. Mas se perguntasse se o livro é bom, a resposta é necessariamente negativa. Como literatura, O Código da Vinci é um desastre: excesso de adjetivação, clichês, estrutura narrativa linear, personagens pouco criativos. Enfim, é uma literatura pobre. Acho que caminharíamos bem se pudéssemos ter a dignidade de aceitar que determinados escritores são importantes, não porque escrevem bem, mas porque cumprem satisfatoriamente um papel social, o do lazer. Afinal, quem nunca se emocionou assistindo a mais açucarada e óbvia das novelas?

Juliana, vim conhecer teu outro Blog e fiquei encantado com a tua crítica! Persista nesta projeto maluco! Dou-lhe o meu apoio. Vou refletir sobre o teu texto, pois tu me inspiraste algo ainda incerto, mas que já se intensifica no meu ser. Obrigado pela inspiração.
ResponderExcluirAbraço.