
sexta-feira, março 12
Chororô

Sé
Tenho uma queda por igrejas e templos. Apesar de não ser religiosa, a paz e o silêncio me deixam tão tranquila que cheguei a passar horas explorando mosteiros e igrejas antigas quando fui à Itália, há alguns anos, numa viagem que aproveitei muito pouco, para ser sincera. Seguem fotos do lugar que, de fato, é mágico.
quinta-feira, março 11
De volta à razão e ao diálogo...

A obra se mostra interessante, pela organização do temas, dos mais simples, como a explicação dos termos, aos mais complexos, como o problema da fundamentação moral no direito e na política. Ontem eu estava sonolenta e me sentindo um pouco cansada, então não notei muita fluência na leitura. Não posso dizer se foi por descuido meu ou porque realmente o texto é truncado, mas o que importa é que depois de algumas tentativas eu consegui avançar na compreensão sistemática das ideias.
Um aspecto que me pareceu interessantíssimo – estou aguardando a biblioteca reabrir para buscar direto na fonte – é a análise Max Weber sobre a criação, na Modernidade, de um “sistema de complementaridade” entre a esfera pública e a esfera privada, dentro de uma lógica liberal, a fim de justificar que o campo de normatividade moral e jurídica não é passível de fundamentação racional. O argumento é apresentado por Apel como um dos principais problemas ao resgate de uma filosofia prática capaz de oferecer razões plausíveis para as normas orientadoras do agir humano como agir verdadeiramente livre. Para Weber, a racionalidade moderna é identificada com o conhecimento científico, de modo que toda e qualquer especulação que não tenha o objeto diante de si não pode ser considerada científica e, portanto, racional. Isso nos leva a conclusão de que a moralidade, por lidar com um objeto imediatamente abstrato, não pode ser racional e, portanto, não é capaz de justificação. Isso leva a uma retomada do convencionalismo (que nos remete muito muito a Rousseau, como salientado por Habermas) e também do decisionismo na esfera pública: as normas são válidas porque nós queremos que sejam válidas. Como superar filosoficamente o paradigma positivista e retomar a discussão pelo fundamento?
Essa reflexão precisa ser lapidada, claro, com as fontes, mas me parece o ponto de partida para a análise da retomada da hermenêutica e da lógica material como orientadores da construção e aplicação do direito no pós-guerra, que é a introdução do artigo que estou escrevendo para o CONPEDI. No ritmo que as coisas vão, não sei se consigo terminar até 5 de abril, especialmente agora que tenho ficado cada vez mais cricri com as referências. Vamos acompanhar.
Da Estrutura Econômica aos Direitos Humanos
Celso FurtadoTanto melhor, agora posso recomeçar com o pé direito, numa perspectiva interdisciplinar que me agrada muito. Isso porque o professor decidiu abordar, como temas principais: a) o problema da efetividade – estruturas econômicas e direitos humanos; b) afirmação histórica dos direitos humanos; c) a realidade atual dos direitos humanos.
A ideia central será: as estruturas econômicas exerceram um grande papel na determinação do arcabouço institucional brasileiro, de modo a perpetuar um sistema de exclusão onde o crescimento econômico geralmente está associado ao crescimento da pobreza. A leitura principal, obviamente, vai ser Celso Furtado, com o seu A Formação Econômica do Brasil. Na bibliografia, muitos economistas e historiadores, com predominância dos ingleses. Já para semana que vem:
1) Celso Furtado – Formação Econômica do Brasil (Fundamentos Econômicos da Ocupação Territorial; Economia Escravista de Agricultura Tropical)
2) R. Blackburn – The overthrow of colonial slavery
3) Calixto Salomão – Monopólio Colonial e Subdesenvolvimento
Vamos começar a brincadeira, São Paulo!
quarta-feira, março 10
terça-feira, março 9
Dudu
segunda-feira, março 8
Batalha
Hoje foi o primeiro dia de aula, após uma espera de meses. Comecei bem, com a disciplina “Aspectos Constitucionais do Direito à Educação”, ministrada em conjunto pelas professoras doutoras Nina Ranieri e Mônica Caggiano. Tive o privilégio de ouvir, ainda que muito brevemente, o representante da UNESCO no Brasil, Paolo Fontani, de voz mansa e olhar plácido, ressaltando que a separação entre o acesso ao direito e a forma de realização do educar não é plausível, exatamente como tentei demonstrar na minha dissertação. A disciplina tem o programa muito bom e vamos receber a visita de cerca de dez professores, muitos dos quais já apareceram nos rodapés dos meus trabalhos. Fiquei animadíssima, apesar da dor de cabeça e do cansaço físico.
A disciplina terá como tema central o princípio da igualdade e o direito à educação, em virtude dos cinquenta anos da Convenção das Nações Unidas contra a Discriminação no Ensino. Estou me sentindo em casa, verdadeiramente. Já tive muito contato sobre todos os temas do programa, muitos dos quais já com trabalhos publicados, inclusive. Estou animada com a possibilidade do intercâmbio de idéias. Trata-se de uma turma de vinte alunos das mais variadas origens e ocupações, de todo o Brasil.
Logo após fui assistir à aula de meu orientador na graduação, mesmo com os olhos pesados e a cabeça funcionando devagar e muito mal. A aula foi excelente. Ele funciona num ritmo frenético e desenvolve os argumentos pressupondo que sua platéia já está familiarizada com um horizonte de compreensão bastante complexo. Não imagino que os alunos do segundo semestre do curso tenham entendido muita coisa, especialmente no que se refere às explicações sobre o sistema social e a organização multicêntrica da sociedade atual. Para mim, foi muito proveitoso, muito esclarecedor.
De modo geral, estou com muita saudade de casa. Foi muito bom passar esses dias, perceber como são valorosas as pequenas coisas, a nossa cama, os nosso lençóis. Estar perto de quem a gente mais gosta. Não sei se qualquer plano de sucesso profissional é mais importante que isso. Estou muito animada com a aula, sim. Acho que esses meses serão de crescimento imenso, sim. Apesar disso, penso em voltar todo santo dia.
domingo, março 7
Passaporte para o Encontro
Cabeça pesada, cabeça triste.

sábado, março 6
Sábado de Sol
Estou em casa desde quarta-feira, em Fortaleza, muito feliz entre os meus. Hoje, se tudo sair como previsto, vou almoçar bem, com os amigos, conversar e passar o tempo sem sentir o tempo passar. Em São Paulo, apesar das inúmeras possibilidades, o tempo vive cada minuto, todo instante é a solidão de ouvir os próprios pensamentos, as dúvidas, as vontades.
Apesar de estar voltando amanhã, estou animada. Segunda-feira terei minha primeira aula, já pela manhã. Chego em São Paulo por volta das oito, no terminal de Barra Funda, direto para a Sé. Minha primeira aula será sobre um tema que me é muito caro: aspectos constitucionais do direito à educação. O exato tema de minha dissertação. Não vejo a hora de começar. Todas as minhas disciplinas foram deferidas:
1) Aspectos Constitucionais do Direito à Educação - Nina Stocco Ranieri
2) Controle Jurisdicional de Políticas Públicas - Ada Grinover e Kazuo Watanabe
3) Teoria Geral dos Direitos Humanos - Fábio Konder Comparato e Calixto Salomão
4) Análise e Interpretação do Brasil - No IEB/USP
5) Teoria da Constituição Subdesenvolvida - Oliveiros
Uma em cada dia da semana, nessa exata ordem. Terei ocupações, sem dúvida!
Esses dias foram bons dias. De certa tranquilidade.
quinta-feira, março 4
Da Metrópole à Fazenda

Ontem comecei a ler o livro "Pelas Janelas da Fazenda", da americana Ellen Bromfield Geld, recém lançado pela editora Objetiva. Como muitos dos livros que leio para passar o tempo, encontrei exposto na livraria, enquanto passeava à toa num domingo chuvoso e solitário na cidade grande. O livro me chamou atenção por dois motivos: a temática e o começo, que, apesar de um pouco cliché, me pareceu muito inspirador.
A obra reúne as memórias de Ellen desde quando ela chegou no Brasil, há cinquenta anos, com o marido, a fim de cultivar no interior de São Paulo. Trata-se de ˜um olhar de um americano sobre a vida no interior do Brasil", e isso me cativou, por se tratar de uma realidade que nunca vivi de modo mais intenso e próximo. Já li umas quarenta páginas e tem sido uma leitura agradável, apesar de alguns lugares comuns sobre o Brasil de um modo geral, os brasileiros e os nordestinos. Alguns adjetivos em excesso aqui e ali, mas nada que prejudique a fluência geral do texto.
Resolvi escrever esse post sobre esse assunto porque lembrei de uma entrevista do Tzvetan Todorov para a última BRAVO, sobre a literatura e paixão. Para o linguista, "os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade."

sábado, fevereiro 27
sexta-feira, fevereiro 26
Fotos!
quinta-feira, fevereiro 25
An education

It rains
Uma chuva muito boa me acordou hoje. Frescor, finalmente.
terça-feira, fevereiro 23
Perspectiva
quinta-feira, fevereiro 18
Pois
terça-feira, fevereiro 16
Shooting
segunda-feira, fevereiro 15
Mormaço

Fui ao shopping; fazer o que, meu Deus? Mas fui. Vou indo. Minha vida na mala, lá no fundo as esperanças de leveza e felicidade que eu trouxe.
Assisti a um filme hoje. Up in the air, amor sem escalas, com o lindo George Clooney. Sobre a vida para o trabalho e a vida além do trabalho. Acho que não conseguiria pensar em minha vida na perspectiva de uma mala de bordo. Eu preciso me instalar. Isso é...
domingo, fevereiro 14
É domingo de sol, Juju.
sexta-feira, fevereiro 12
Recadinho
quinta-feira, fevereiro 11
Perda do sentido do belo e os escritores de meia tigela

Para o filósofo, o século XX trouxe uma ruptura entre o conteúdo e a forma no campo das artes, reduzindo o nível expressivo “à insignificância dos conteúdos”. Isto é, pouco importa a qualidade do conteúdo da obra, tendo a forma adquirido um valor em si mesma. O culto do formalismo. Segundo Reale, esse processo implica a perda das raízes metafísicas da forma, que, para a sabedoria grega, tem a função de mediar a transmissão dos conteúdos, atribuindo ordem à desordem.
Essa reflexão me parece muito pertinente para compreender as disfunções da literatura hoje. Escritores que, sob o argumento da experimentação da forma ao último grau, acabam por esvaziar o conteúdo da obra, perdendo por completo o sentido do belo que a arte busca atingir. Não esqueço de uma experiência muito esclarecedora (na ocasião, fui tratada como completa ignorante, por sinal). Era apresentação de um livro de poesias, em que os setenta e poucos poemas eram variação do mesmo poema: só se mudou pontos, vírgulas, sinônimos, coisas assim. Em resumo, o conteúdo era o mesmo, o que interessava mesmo era a forma. Na ocasião, confesso que achei isso tudo uma tremenda bobagem e muito gasto desnecessário de papel (Saulo, que é mais seco e direto, disse que fulano estava descobrindo o movimento modernista com algumas décadas de atraso). O autor, na ocasião, disse que “não tinha controle sobre o conteúdo”, que o importante era a reação das pessoas sobre a “experiência” literária. Quanta carência, ein?
A forma, na arte, tem uma função ontológica clara: emprestar a beleza ao conteúdo, oferecendo-lhe ordem. Por isso é que sentimos tanta beleza ao ler um Machado de Assis, pela construção impecável da forma, tendo em visto o conteúdo a ser transmitido.
O próprio Machado, em diversos dos seus contos, faz graça desses escritores que não fazem nada a não ser “alinhavar ninharias”. Tão atual, o machadinho. A proposta é: não ao formalismo, sim à beleza formal dos conteúdos artísticos!
Referência
REALE, Giovanni. O Saber dos Antigos: Terapia para os Tempos Atuais. São Paulo: Loyola, 2002, pg. 131-148.
Vai passar!

É carnaval, Juju, tudo é possível.

Música de Passarinho
Vai, Juju, ser gauche na vida!
quarta-feira, fevereiro 10
La pluie, la pluie...
Chuva remete ao mato, a Guaramiranga e o seu mosteiro, a Ubajara com seu Antônio contando suas histórias incríveis (a gente crê mais quando é noite, e a luz é pouca, e o vinho tranquiliza o grilo no jardim). Seu Antônio é cineasta e agricultor, só orgânicos, nada de agrotóxicos. As bergamotas de seu Antônio são mais perfumadas, os tomates mais vermelhos. A vida ali é uma impressão colorida. O dia hoje é para Monet e sua Giverny encantada.
terça-feira, fevereiro 9
Há alguém de olho em você...

Rembrandt, Autorretrato, Óleo sobre Tela, 1629.
Drummond, que é rima e solução.
Tristeza de ver a tarde cair
como cai uma folha.
(No Brasil não há outono
mas as folhas caem.)
Tristeza de comprar um beijo
como quem compra jornal.
Os que amam sem amor
não terão o reino dos céus.
Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém
(que esta vida não presta).
Carlos Drummond de Andrade, em Alguma Poesia, Record.
sábado, fevereiro 6
Vida Gauche
É preciso continuar, mesmo que nada faça sentido, certo?
Vontade de perguntar:
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que era fraco.
Drummond, POEMA DE SETE FACES
quinta-feira, fevereiro 4
Vide
Tudo isso é tão triste...
terça-feira, fevereiro 2
En train...de partir.

domingo, janeiro 31
Carrousel

Musiquinha de domingo: Stay out of trouble, Kings of Convenience
I walked around for hours, two ten pence pieces in my hand
I was alone and freezing, still trying hard to understand you
but now the feeling's growing, I would be better off with their help
so baby, what we've got has lately, not been enough
I wish I had your scarf still, that once embraced and kept me warm.
I wish you could be with me, in these last days when I am still hopelessly poor
stay out of trouble, stay in touch
try not to think about me too much
Le numéro!
quinta-feira, janeiro 28
Em boa companhia...

Fiquei muito feliz quando, numa dessas buscas desinteressadas na livraria, encontrei uma nova coletânea de contos do Machado de Assis, em 6 volumes, organizada pelo João Cezar de Castro Rocha, como resultado de uma pesquisa fomentada pelo CNPq, através da FAPERJ.
1) Música e Literatura;
2) Adultério e Ciúme;
3) Filosofia;
4) Dissimulação e Vaidade;
5) Política e Escravidão;
6) Desrazão.
Achei muito boa a divisão temática, porque facilita o trabalho de comparação do estilo, o modo como o autor amadureceu os temas. Cada volume é introduzido por uma análise crítica muito útil e bem feita, que abre os olhos para determinadas “coincidências” entre os contos. Já disse uma vez, para o tremendo horror estético de um professor de literatura, que achava Machado um escritor de contos, não de romances. Apenas quis dizer que prefiro os contos aos romances, de modo que fiquei muito feliz quando tive o contato com esses volumes.
Ontem à noite fui dormir com essa elegância:
“Sim, meu senhor, os adjetivos nascem de um lado, e os substantivos de outro, e toda a sorte de vocábulos está assim dividida por motivo de diferença sexual...
- Sexual?
Em: O Cônego ou a Metafísica do Estilo (v. 1).
Editora: Record.
quarta-feira, janeiro 27
Isaiah Berlin e a Modernidade

O autor parte de uma tese interessante para ilustrar as idéias básicas da era romântica, a que ele chama de tripé de pressuposições-chave ou “banco de três pés": segundo Berlin, toda a concepção filosófica da modernidade é baseada na certeza de que:
a) Todas as questões genuínas têm respostas únicas;
b) Que as respostas podem em princípio ser descobertas;
c) Que as respostas foram um todo coerente.
A metafísica iluminista, portanto. Ainda não avancei na leitura, mas o começo me pareceu muito interessante, a ponto de me afobar para apresentar esse início.
BERLIN, Isaiah. Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno. São Paulo: Cia das Letras, 2009.
P.S. Isaiah Berlin morreu em 1997 e a obra foi organizada por Henry Hardy, tendo em vista que o filósofo nunca a achou digna de ser publicada. Parece que Berlin era pouco sistemático em seus trabalhos intelectuais.
terça-feira, janeiro 26
Tempos d'Ouro
Ah, Fortaleza!

Na minha vida passada, eu e scastor moramos aqui, numa casa simpática na av. Santos Dumont.
Fonte: http://biblioteca.ibge.gov.br
sábado, janeiro 23
Acervo Raro

...
Obra de Hans Staden, de 1557.O Chico nosso de todos os dias...
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
A Música é um primor. Versos como “meu corpo é testemunha do bem que ele me faz” são poesia (e verdade pura). A sensação de leveza, de bem-estar, de plenitude (por que não?) depois de uma boa noite. Indiscutível.
Enfim, a tese é a de que, sim, apesar da queima dos sutiãs, as mulheres precisam, sim, e muito, da virilidade masculina para se sentir beijada “até a alma”.
Ah, o Chico lá em casa... ;)
sexta-feira, janeiro 22
Corinthum
quinta-feira, janeiro 21
Le prochain...
A próxima leitura será: O Planalto e a Estepe, do Pepetela.Lattes
terça-feira, janeiro 19
Império, Liberalismo e as Escolas de Direito..
Chez moi e o conforto de si...
Olá, Facvldade de Direito!
segunda-feira, janeiro 18
O Drummond que não é de ninguém, nem da outra...
Daqui a pouquinho terei uma aula da saudade de ex-alunos para ir. Estou tão apreensiva com esse compromisso! Oh, Deus, não sei se fico ou se passo. Vou terminar hoje com um poema. Na verdade, só escrevi porque preciso me habituar a isso. A universidade segue sem divulgar as disciplinas, o que me tem deixado entre ansiosa e descrente. A Drummond, vamos lá.
(...)
E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e que beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os carros que passam
com choferes que não suspeitam
de minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! Um quis me prender.
Abri-lhe os braços...Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco...
Podeis ver: o que era corpo
foi comido pelo gato.
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Sentimento de Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2001, pg. 23.
sábado, janeiro 16
En Train de... Kyoto!


Nesse momento de intervalo, de trânsito, creio que minha principal companhia será mesmo a literatura. Estou lendo um livro do Yasunari Kawabata, chamado Kyoto. Já é o terceiro, depois de A Dançarina de Izu e Beleza e Tristeza. Sempre termino os livros de Kawabata com a certeza de que a estética oriental não é para mim, mas esse, especificamente, é tão suave e delicado! A descrição da floração das cerejeiras, a observação da primavera, a contemplação meditativa que antecede a preparação de um quimono. É o retrato de um Japão que não existe mais, de um Japão em câmera lenta.
Apesar da suposta pausa, tenho alguns afazeres acadêmicos que precisam ser contornados antes da minha viagem: um artigo para um livro de homenagens e o texto final da monografia, que não faço ideia com que energia irei terminar (e começar, considerando que só há a introdução redigida). C’est ça, la solitude. Chez moi, plus douce.










