sexta-feira, março 12

Chororô


Eis o livrinho que me fará companhia na cansativa viagem de ida (e volta) à Fortaleza, amanhã, para ver o meu amor e minha família. Recém-lançado, comprei com o meu bônus na livraria da vila. Espero que seja bem aproveitado. Na contracapa, se lê:



"Os habitantes da aldeia do Pêssego, no sopé da montanha do Norte, são proibidos de chorar. Para manter os olhos sempre secos, a órfã Binu aprende a chorar pelos cabelos, e é isso que ela faz quando o jovem marido é levado à montanha da Grande Andorinha para trabalhar na construção da Muralha da China. A saga de Binu, que percorre centenas de quilômetros para entregar um casaco ao amado, é um mito milenar chinês, transmitido oralmente de geração em geração e recontado aqui por Su Tong. Ao longo da jornada, entre inúmeros perigos e maravilhas, Binu se depara com um mercado de gente, é aprisionada por meninos-cervos e acorrentada a um caixão de defunto. Acusada de louca e de feiticeira, vê a morte de perto mais de uma vez. Por trás da fantasia da fábula, Su Tong desvela a maneira como a cultura e a sociedade chinesa têm sido percebidas ao longo dos séculos. Fala também de sentimentos universais, como o amor e a persistência contra as injustiças e adversidades. "


Visão da praça de dentro da catedral



Bem me quer, mal me quer...




Para chegar à faculdade de metrô eu faço o seguinte trajeto: embarco na estação consolação, linha verde, salto na estação paraíso para uma baldeação, embarco novamente em direção a tucuruvi e, enfim, chego na Sé, cuja estação fica a duas quadras da faculdade. Hoje, apesar de não ter aula, precisava pegar um material na xerox e não resisti, dei uma passadinha para conhecer a catedral por dentro.



Tenho uma queda por igrejas e templos. Apesar de não ser religiosa, a paz e o silêncio me deixam tão tranquila que cheguei a passar horas explorando mosteiros e igrejas antigas quando fui à Itália, há alguns anos, numa viagem que aproveitei muito pouco, para ser sincera. Seguem fotos do lugar que, de fato, é mágico.

quinta-feira, março 11

De volta à razão e ao diálogo...


Minha pesquisa é focada na justificação dos direitos fundamentais, analisando especificamente a adequação dos modelos de ética procedimental para esse fim. Continuando as leituras durante a tarde de ontem, comecei o fichamento da obra “Ética Mínima”, da filósofa Adela Cortina, que se declarada filiada à corrente da ética da discussão como concebida por Karl-Otto Apel.

A obra se mostra interessante, pela organização do temas, dos mais simples, como a explicação dos termos, aos mais complexos, como o problema da fundamentação moral no direito e na política. Ontem eu estava sonolenta e me sentindo um pouco cansada, então não notei muita fluência na leitura. Não posso dizer se foi por descuido meu ou porque realmente o texto é truncado, mas o que importa é que depois de algumas tentativas eu consegui avançar na compreensão sistemática das ideias.

Um aspecto que me pareceu interessantíssimo – estou aguardando a biblioteca reabrir para buscar direto na fonte – é a análise Max Weber sobre a criação, na Modernidade, de um “sistema de complementaridade” entre a esfera pública e a esfera privada, dentro de uma lógica liberal, a fim de justificar que o campo de normatividade moral e jurídica não é passível de fundamentação racional. O argumento é apresentado por Apel como um dos principais problemas ao resgate de uma filosofia prática capaz de oferecer razões plausíveis para as normas orientadoras do agir humano como agir verdadeiramente livre. Para Weber, a racionalidade moderna é identificada com o conhecimento científico, de modo que toda e qualquer especulação que não tenha o objeto diante de si não pode ser considerada científica e, portanto, racional. Isso nos leva a conclusão de que a moralidade, por lidar com um objeto imediatamente abstrato, não pode ser racional e, portanto, não é capaz de justificação. Isso leva a uma retomada do convencionalismo (que nos remete muito muito a Rousseau, como salientado por Habermas) e também do decisionismo na esfera pública: as normas são válidas porque nós queremos que sejam válidas. Como superar filosoficamente o paradigma positivista e retomar a discussão pelo fundamento?

Essa reflexão precisa ser lapidada, claro, com as fontes, mas me parece o ponto de partida para a análise da retomada da hermenêutica e da lógica material como orientadores da construção e aplicação do direito no pós-guerra, que é a introdução do artigo que estou escrevendo para o CONPEDI. No ritmo que as coisas vão, não sei se consigo terminar até 5 de abril, especialmente agora que tenho ficado cada vez mais cricri com as referências. Vamos acompanhar.

Da Estrutura Econômica aos Direitos Humanos

Celso Furtado






Ontem tive aula com o professor Calixto Salomão, na disciplina “Teoria dos Direitos Humanos”, que também contará com a participação do professor Fábio Comparato. Fiquei empolgadíssima com o programa, considerando que o professor escolheu uma linha de reflexão para pensar os direitos humanos, para além de uma teoria generalista – e, por que não dizer, vazia. Minha experiência com essa disciplina no mestrado foi a pior possível, pela falta de preparo do professor, pela antipatia geral à sua pessoa, pelas expectativas inteiramente frustradas em relação ao engrandecimento teórico.

Tanto melhor, agora posso recomeçar com o pé direito, numa perspectiva interdisciplinar que me agrada muito. Isso porque o professor decidiu abordar, como temas principais: a) o problema da efetividade – estruturas econômicas e direitos humanos; b) afirmação histórica dos direitos humanos; c) a realidade atual dos direitos humanos.

A ideia central será: as estruturas econômicas exerceram um grande papel na determinação do arcabouço institucional brasileiro, de modo a perpetuar um sistema de exclusão onde o crescimento econômico geralmente está associado ao crescimento da pobreza. A leitura principal, obviamente, vai ser Celso Furtado, com o seu A Formação Econômica do Brasil. Na bibliografia, muitos economistas e historiadores, com predominância dos ingleses. Já para semana que vem:

1) Celso Furtado – Formação Econômica do Brasil (Fundamentos Econômicos da Ocupação Territorial; Economia Escravista de Agricultura Tropical)
2) R. Blackburn – The overthrow of colonial slavery
3) Calixto Salomão – Monopólio Colonial e Subdesenvolvimento

Vamos começar a brincadeira, São Paulo!

quarta-feira, março 10

Nobreza

Fotos do salão nobre da faculdade, onde ocorrem as grandes cerimônias e celebrações.











terça-feira, março 9

Dudu



Duduzinho é uma calopsita ainda bebê de Alexandre, meu irmão. Domingo, houve um almoço muito simpático na casa de minha mãe, para comemorar o fato de estarmos todos juntos e felizes. A maior festa é sempre com Dudu, manhoso e levemente histérico. Sempre lembro de Linus, dos Peanuts, para quem acariciar passarinhos trazia muito conforto. Traz mesmo, né?


Já já de saída para faculdade. Hoje eu vou passar o dia estudando, pra ver se me oriento na vida.

segunda-feira, março 8

Batalha

A minha viagem de volta a São Paulo foi muito cansativa, pela quantidade de meios que tive que tomar. O avião da Azul é realmente muito mais confortável, apesar de menorzinho. Se pudesse dizer o que é melhor, diria que é a simplicidade. Tudo é mais simples, menos gente, menos tumulto, menos comoção. Dormi a viagem quase toda, não precisei recorrer nem ao livro nem ao ipod, que sequer foi ligado. O problema foi: pegar o ônibus para Campinas numa fila gigantesca; o trânsito para chegar em São Paulo; o metrô lotadíssimo. Apesar disso, cheguei na hora prevista, mas destruída. Não dá pra chegar com bagagem. A bolsa e só, de preferência muito leve. Ainda não sei como vou conseguir essa mágica.

Hoje foi o primeiro dia de aula, após uma espera de meses. Comecei bem, com a disciplina “Aspectos Constitucionais do Direito à Educação”, ministrada em conjunto pelas professoras doutoras Nina Ranieri e Mônica Caggiano. Tive o privilégio de ouvir, ainda que muito brevemente, o representante da UNESCO no Brasil, Paolo Fontani, de voz mansa e olhar plácido, ressaltando que a separação entre o acesso ao direito e a forma de realização do educar não é plausível, exatamente como tentei demonstrar na minha dissertação. A disciplina tem o programa muito bom e vamos receber a visita de cerca de dez professores, muitos dos quais já apareceram nos rodapés dos meus trabalhos. Fiquei animadíssima, apesar da dor de cabeça e do cansaço físico.

A disciplina terá como tema central o princípio da igualdade e o direito à educação, em virtude dos cinquenta anos da Convenção das Nações Unidas contra a Discriminação no Ensino. Estou me sentindo em casa, verdadeiramente. Já tive muito contato sobre todos os temas do programa, muitos dos quais já com trabalhos publicados, inclusive. Estou animada com a possibilidade do intercâmbio de idéias. Trata-se de uma turma de vinte alunos das mais variadas origens e ocupações, de todo o Brasil.

Logo após fui assistir à aula de meu orientador na graduação, mesmo com os olhos pesados e a cabeça funcionando devagar e muito mal. A aula foi excelente. Ele funciona num ritmo frenético e desenvolve os argumentos pressupondo que sua platéia já está familiarizada com um horizonte de compreensão bastante complexo. Não imagino que os alunos do segundo semestre do curso tenham entendido muita coisa, especialmente no que se refere às explicações sobre o sistema social e a organização multicêntrica da sociedade atual. Para mim, foi muito proveitoso, muito esclarecedor.

De modo geral, estou com muita saudade de casa. Foi muito bom passar esses dias, perceber como são valorosas as pequenas coisas, a nossa cama, os nosso lençóis. Estar perto de quem a gente mais gosta. Não sei se qualquer plano de sucesso profissional é mais importante que isso. Estou muito animada com a aula, sim. Acho que esses meses serão de crescimento imenso, sim. Apesar disso, penso em voltar todo santo dia.

domingo, março 7

Passaporte para o Encontro

Durante março e abril estarei em casa todos os finais de semana, graças ao passaporte da Azul. A ideia de poder viajar para qualquer lugar do Brasil é bastante tentadora, eu devo admitir. Quem nunca imaginou, num dia de tensão e cansaço, ir ao aeroporto e escolher qualquer destino, qualquer lugar, desaparecer, simplesmente? Eu posso conhecer o Rio, posso conhecer as cidades em Minas, posso mesmo? Por hora, só sei que meu destino é São Paulo(Campinas) - Fortaleza.

Cabeça pesada, cabeça triste.



Em poucas horas estarei de volta à São Paulo, com a alegria de que amanhã as aulas finalmente começarão. Não vejo a hora de estar atribulada, cheia de obrigações, com mil e uma coisas por fazer. Ser estudante novamente, só me preocupar em chegar na hora, em terminar o artigo, em ler os livros a tempo. É muita sorte, grande oportunidade. Nesses meses de ociosidade, me senti especialmente culpada por não ter muito o que fazer de objetivo, de pontual. É muito triste o ritmo que a gente vive, que não admite esses espaços para reflexão. O bom é que, de fato, o tempo foi muito proveitoso para pensar sobre a vida, tecer planos para o futuro, refletir sobre o certo a fazer. Sinto uma calma maior, uma tranquilidade para enfrentar os passos da vida, ainda que a gente não saiba exatamente qual caminho deva seguir.






***




Percebi que Fortaleza tem um cheiro que é de mar, especialmente aqui, perto de casa. Sexta-feira fui à padaria comprar pão e queijo, e a luz era tão intensa, o sol tão forte, que não pude deixar de me sentir na praia, em veraneio, à beira do mar, ouvindo as ondas quebrando com força. Tenho sentido a falta do contato com a natureza, com a água, o cheiro de mato. Há pouco, olhando pela janela, vi uma fileira de coqueiros lá longe e pensei que é muito bom viver aqui, apesar do calor, apesar da falta de civilidade, da falta de acesso à cultura, do ritmo excessivamente tropical das pessoas e dos lugares. Em Fortaleza, me sinto mais humana, apesar de tudo. Fortaleza é minha casa, é onde eu guardo os meus sonhos do porvir.

sábado, março 6

Imagens de um dia bom...

Vocês já perceberam que Fortaleza tem um cheirinho de mar?



Monet


Winslow Homer



Para ler e ser feliz com a beleza dos dias em casa.


Sábado de Sol

Estou em casa desde quarta-feira, em Fortaleza, muito feliz entre os meus. Hoje, se tudo sair como previsto, vou almoçar bem, com os amigos, conversar e passar o tempo sem sentir o tempo passar. Em São Paulo, apesar das inúmeras possibilidades, o tempo vive cada minuto, todo instante é a solidão de ouvir os próprios pensamentos, as dúvidas, as vontades.


Apesar de estar voltando amanhã, estou animada. Segunda-feira terei minha primeira aula, já pela manhã. Chego em São Paulo por volta das oito, no terminal de Barra Funda, direto para a Sé. Minha primeira aula será sobre um tema que me é muito caro: aspectos constitucionais do direito à educação. O exato tema de minha dissertação. Não vejo a hora de começar. Todas as minhas disciplinas foram deferidas:


1) Aspectos Constitucionais do Direito à Educação - Nina Stocco Ranieri

2) Controle Jurisdicional de Políticas Públicas - Ada Grinover e Kazuo Watanabe

3) Teoria Geral dos Direitos Humanos - Fábio Konder Comparato e Calixto Salomão

4) Análise e Interpretação do Brasil - No IEB/USP

5) Teoria da Constituição Subdesenvolvida - Oliveiros


Uma em cada dia da semana, nessa exata ordem. Terei ocupações, sem dúvida!


Esses dias foram bons dias. De certa tranquilidade.

quinta-feira, março 4

Da Metrópole à Fazenda



Ontem comecei a ler o livro "Pelas Janelas da Fazenda", da americana Ellen Bromfield Geld, recém lançado pela editora Objetiva. Como muitos dos livros que leio para passar o tempo, encontrei exposto na livraria, enquanto passeava à toa num domingo chuvoso e solitário na cidade grande. O livro me chamou atenção por dois motivos: a temática e o começo, que, apesar de um pouco cliché, me pareceu muito inspirador.



A obra reúne as memórias de Ellen desde quando ela chegou no Brasil, há cinquenta anos, com o marido, a fim de cultivar no interior de São Paulo. Trata-se de ˜um olhar de um americano sobre a vida no interior do Brasil", e isso me cativou, por se tratar de uma realidade que nunca vivi de modo mais intenso e próximo. Já li umas quarenta páginas e tem sido uma leitura agradável, apesar de alguns lugares comuns sobre o Brasil de um modo geral, os brasileiros e os nordestinos. Alguns adjetivos em excesso aqui e ali, mas nada que prejudique a fluência geral do texto.


Resolvi escrever esse post sobre esse assunto porque lembrei de uma entrevista do Tzvetan Todorov para a última BRAVO, sobre a literatura e paixão. Para o linguista, "os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade."


Tzvetan Todorov



O livro tem me ajudado a estar mais próxima de uma realidade que nunca conheci de perto e, de certo modo, a sentir a tranquilidade que é acordar pela manhã com o cheiro de café e grama molhada pela chuva. Parece até fácil ser feliz.



sábado, fevereiro 27

Passeando


Bem me quer, mal me quer...




Exposição sob o MASP.




Caminhando, pensando na vida, sentindo o cheiro da metrópole.


sexta-feira, fevereiro 26

Me consola, São Paulo.


Visão da Rua da Consolação, de dentro do HSBC Belas Artes. Movimento, movimento...

Fotos!

Agora que minha câmera chegou (finalmente!), pude fazer minha primeira experiência fotográfica. Essa é a vista da minha janela. Vista que se abre para um mundo de gente, de vidas, de cores. A cada janelinha, um alguém. Eu gosto de vistas infinitas, mas confesso que é um encantamento olhar pela sacada e encontrar esse mundo de gente falando, interagindo, dormindo, twittando. Me sinto menos só.


Há um mundo novo para explorar com minha canon a480. Miudinha, discreta, implacável.


quinta-feira, fevereiro 25

An education


Há uns dois dias assisti o filme "Educação" no cinebombril do Conjunto Nacional, que recomendo bastante pelo conforto, praticidade e tranquilidade. O filme trata do projeto de uma família de classe média inglesa de enviar sua filha única para Oxford, a fim de estudar Inglês, "read english". Jenny é uma adolescente de 16 anos brilhante, inteligente e madura demais para sua idade, o que faz com que a personagem seja simplesmente encantadora, ofuscando todos os demais no filme. Eu gostei muito, apesar de achar um pouco lento.
O melhor do filme são os diálogos inteligentes, a ironia de Jenny, a ideia de viver a vida intensamente, evitando o tédio. Já quase no final, Jenny esclarece tudo: não há atalhos para a vida que eu quero levar.


It rains

Gostaria de ter muito para falar. Não há nada, por enquanto. Ontem fui a um café na Augusta encontrar com os outros orientandos do meu orientador. Foi muito agradável poder conversar um pouco, interagir socialmente. A uma certa hora, uma cerveja foi pedida, e eu pensei: por que não? Até que não era intragável, devo ter bebido metade de um copo. Solidão do tamanho do mundo, mas não me sinto em desespero, só um pouco perdida e culpada pela existência. Enfim, lamúrias, lamúrias. Biblioteca fechada até 15 de março. Aulas que começam apenas em 8 de março. Acho que hoje assistirei “Nova York, eu te amo”.

Uma chuva muito boa me acordou hoje. Frescor, finalmente.

terça-feira, fevereiro 23

Perspectiva

Por toda a minha existência sempre cri que estivesse à frente do projeto da minha vida. O que fazer, decisões a tomar, emoções. Em alguns momentos, pode-se dizer que isso foi verdade. Fazer o mestrado, estudar francês em vez de espanhol, enfim. Agora estou numa cidade estranha, com todo o tempo do mundo para fazer o que tiver vontade, e o horizonte parece inteiramente sem perspectivas. É preciso assumir as rédeas. Definir as intenções de futuro. Tentar ser independente da vontade dos outros. Não que a interferência seja direta. Mas há um fator de culpa que me move a sempre fazer o que eu acho vá ser aprovado. Aqui, morando sozinha, sem ninguém esperando minha volta para casa, sem atividades objetivas a fazer pelas próximas duas semanas, é só o vazio... Juju, quem você quer ser quando crescer?

quinta-feira, fevereiro 18

American Dream


Acho que não dá pra viver em São Paulo e viver o sonho americano.

Pois

Hoje choveu forte em São Paulo, para aplacar o calor, para deixar o céu mais parecido com os sentimentos aqui dentro. Confesso que acho muito bonito ver o tempo fechar subitamente, o céu pesado, sensação de graves tragédias no ar úmido. Talvez amanhã já possa me considerar devidamente instalada, quem sabe? Uma casa? Um lar? Uma cama, um banheiro, uma rotina a ser construída. Hoje foi o dia de escolher um guarda-chuva. Desses grandes, incômodos, de pois marrom. Creiam-me, é uma graça.
***
Saudade de casa.
Não vejo a hora de ter minha câmera em mãos.

terça-feira, fevereiro 16

Shooting

Feliz porque em breve minha experiência será bastante visual também. Meu marido me comprou uma máquina digital, dessas discretinhas. Não vejo a hora de tê-la em mãos.

segunda-feira, fevereiro 15

Mormaço


Hoje foi um dia de calor terrível. São Paulo ferve. O mormaço nos deixa propícios a decisões trágicas. Sentir-se derreter lentamente, é só isso que há por aqui.

Fui ao shopping; fazer o que, meu Deus? Mas fui. Vou indo. Minha vida na mala, lá no fundo as esperanças de leveza e felicidade que eu trouxe.

Assisti a um filme hoje. Up in the air, amor sem escalas, com o lindo George Clooney. Sobre a vida para o trabalho e a vida além do trabalho. Acho que não conseguiria pensar em minha vida na perspectiva de uma mala de bordo. Eu preciso me instalar. Isso é...

domingo, fevereiro 14

É domingo de sol, Juju.

Hoje São Paulo me recebeu com um domingo lindo, um sol forte, céu sem nuvens. Claro como se fosse Fortaleza. Estou até feliz...

sexta-feira, fevereiro 12

Recadinho

Hoje, a Terezinha, um anjo que toma de conta da minha casa e das roupas do meu marido (que é muito exigente), deixou um recadinho muito feliz e esperançoso. Vale a pena compartilhar.

***
"Querida Juju,
Que Deus lhe abençõe. Que seu anjo da guarda não saia do seu lado um só instante. O tempo vai passar bem rapidinho, você vai ver, você vai aprender muita coisa, vai amadurecer. Se cuide. Vou rezar por você todo dia. Um abraço.
Tê."
***
Para ter esperança que dias melhores virão.

quinta-feira, fevereiro 11

Perda do sentido do belo e os escritores de meia tigela



Em seu livro “O Saber dos Antigos: Terapia para os Tempos Atuais”, Giovanni Reale identifica, como um dos problemas da Modernidade, a perda do sentido da forma (e por consequência, do belo).

Para o filósofo, o século XX trouxe uma ruptura entre o conteúdo e a forma no campo das artes, reduzindo o nível expressivo “à insignificância dos conteúdos”. Isto é, pouco importa a qualidade do conteúdo da obra, tendo a forma adquirido um valor em si mesma. O culto do formalismo. Segundo Reale, esse processo implica a perda das raízes metafísicas da forma, que, para a sabedoria grega, tem a função de mediar a transmissão dos conteúdos, atribuindo ordem à desordem.

Essa reflexão me parece muito pertinente para compreender as disfunções da literatura hoje. Escritores que, sob o argumento da experimentação da forma ao último grau, acabam por esvaziar o conteúdo da obra, perdendo por completo o sentido do belo que a arte busca atingir. Não esqueço de uma experiência muito esclarecedora (na ocasião, fui tratada como completa ignorante, por sinal). Era apresentação de um livro de poesias, em que os setenta e poucos poemas eram variação do mesmo poema: só se mudou pontos, vírgulas, sinônimos, coisas assim. Em resumo, o conteúdo era o mesmo, o que interessava mesmo era a forma. Na ocasião, confesso que achei isso tudo uma tremenda bobagem e muito gasto desnecessário de papel (Saulo, que é mais seco e direto, disse que fulano estava descobrindo o movimento modernista com algumas décadas de atraso). O autor, na ocasião, disse que “não tinha controle sobre o conteúdo”, que o importante era a reação das pessoas sobre a “experiência” literária. Quanta carência, ein?


A forma, na arte, tem uma função ontológica clara: emprestar a beleza ao conteúdo, oferecendo-lhe ordem. Por isso é que sentimos tanta beleza ao ler um Machado de Assis, pela construção impecável da forma, tendo em visto o conteúdo a ser transmitido.

O próprio Machado, em diversos dos seus contos, faz graça desses escritores que não fazem nada a não ser “alinhavar ninharias”. Tão atual, o machadinho. A proposta é: não ao formalismo, sim à beleza formal dos conteúdos artísticos!

Referência




REALE, Giovanni. O Saber dos Antigos: Terapia para os Tempos Atuais. São Paulo: Loyola, 2002, pg. 131-148.

Vai passar!

Fase nova da vida que se inicia, em cidade nova, o desconhecido e os desconhecidos: poder ser quem quiser. A grande pergunta é: você pode se reinventar mesmo com todos os seus vícios de comportamento? Há uma espécie de determinismo no nosso modo típico de existir ou há vários eus na manga? Nossas máscaras são sempre as mesmas?



É carnaval, Juju, tudo é possível.








Para sonhar com o carnaval em Veneza.

Música de Passarinho







Musiquinha muito suave: descobri ontem, durante um jantar, quase um sussurro. O nome do cd é "Sweet Jardin", e minha faixa preferida é "Aula de Francês". Vale uma escutadinha.



Vai, Juju, ser gauche na vida!

Terminando de arrumar as malas, ouvindo Tiê e pensando em Drummond e Cecília.



***
O poeta vai enchendo a mala,
põe camisas, punhos, loções,
um exemplar da Imitação
e parte para outros rumos
***
Carlos Drummond de Andrade
Fuga, em Alguma Poesia
***
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
***
Cecília Meireles
Despedida, em Viagem Vaga Música

quarta-feira, fevereiro 10

La pluie, la pluie...

Atravessando a Alameda Santos, lá pela altura da estação Trianon-Masp, passa-se por um parque, cortado pela rua, e o cheiro de mato pesa, o ruído dos carros subitamente ameniza, o ritmo descansa. Hoje o dia começou aqui, em Fortaleza, com muita chuva, água forte, dessas de fazer barulho no telhado (alheio, já que o meu é inaudível, a não ser pela vizinha de 5 anos com a bola de basquete, dia sim, dia não).

Chuva remete ao mato, a Guaramiranga e o seu mosteiro, a Ubajara com seu Antônio contando suas histórias incríveis (a gente crê mais quando é noite, e a luz é pouca, e o vinho tranquiliza o grilo no jardim). Seu Antônio é cineasta e agricultor, só orgânicos, nada de agrotóxicos. As bergamotas de seu Antônio são mais perfumadas, os tomates mais vermelhos. A vida ali é uma impressão colorida. O dia hoje é para Monet e sua Giverny encantada.


terça-feira, fevereiro 9

Há alguém de olho em você...




Rembrandt, Autorretrato, Óleo sobre Tela, 1629.


Ele sempre foi um dos meus preferidos, indiscutivelmente. Nos intervalos de aula no 7 de Setembro, no recreio, de vez em quando uma escapulida para a biblioteca para uma olhadela nas obras. Sempre me senti menos só com esses olhares. Sim, eu já matei aula no colégio para apreciar a arte e em diversas ocasiões para ficar no laboratório de redação, estudando um pouco algo que não fosse geometria analítica. Acho que é perdoável, sim?

Drummond, que é rima e solução.

Epigrama para Emílio Moura

Tristeza de ver a tarde cair
como cai uma folha.
(No Brasil não há outono
mas as folhas caem.)

Tristeza de comprar um beijo
como quem compra jornal.
Os que amam sem amor
não terão o reino dos céus.

Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém
(que esta vida não presta).


Carlos Drummond de Andrade, em Alguma Poesia, Record.

sábado, fevereiro 6

Vida Gauche

Hoje dei aula para uma turma de pós-graduação. Convite de última hora, boa oportunidade, enfim. Poucas foram as vezes em que estive em sala com tranquilidade, como se a minha vulnerabilidade não importasse, como se eu não me importasse com nada. Agradeci por não ter de estar à frente de várias turmas esse semestre, acho que meu peito se encheria de ansiedade e eu ficaria ainda mais só, eu e o frio na barriga de todos os dias.

É preciso continuar, mesmo que nada faça sentido, certo?

Vontade de perguntar:

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que era fraco.

Drummond, POEMA DE SETE FACES

quinta-feira, fevereiro 4

Vide

Hoje eu dava um dedo por um abraço. Não assim qualquer abraço, mas um abraço com gosto. Acho que todo mundo tem que começar uma viagem vertical na vida, para aprender a deixar, para aprender a ir embora. Ir embora de um modo de existência que não é sustentável, que não é satisfatório. Poder ser quem quiser, uma vez que seja, parece tentador.

Tudo isso é tão triste...

terça-feira, fevereiro 2

En train...de partir.


Hoje estou num desânimo só, em face da iminência da partida. Achei que esses dias por aqui seriam doces e bons, mas não. É pena. Comprei uma mala de mudança. Uma malona preta que cabe a vida. O vendedor da Casa Americana, muito simpático, me disse: "toda partida é uma dor, mas depois vem a alegria". Acho que ele não iria mentir.


...


Ouvindo Nat King Cole, aproveito para deixar uma imagem de leveza e felicidade: Fred Astaire e Ginger Rogers dançando. Para quem quiser vê-los dançando: http://www.youtube.com/watch?v=YV5e7mWcQJE


domingo, janeiro 31

Carrousel


Há algo que vale a pena nessa mudança toda: você pode ser quem você quiser, certo?

Musiquinha de domingo: Stay out of trouble, Kings of Convenience

I walked around for hours, two ten pence pieces in my hand
I was alone and freezing, still trying hard to understand you
I left the others knowing I had to work this by myself
but now the feeling's growing, I would be better off with their help
so baby, what we've got has lately, not been enough
I wish I had your scarf still, that once embraced and kept me warm.
I wish you could be with me, in these last days when I am still hopelessly poor
stay out of trouble, stay in touch
try not to think about me too much
***

A vida é um eterno domingo...



Winslow Homer




Pierre Auguste Renoir





...




Para ficar feliz com o sol.

Le numéro!

Enfim, depois de várias semanas de ansiedade e espera, saiu o número USP, que equivale ao número de matrícula. Muito feliz, porque finalmente me sinto parte da Universidade. Entrei no sistema online para efetuar a inclusão das disciplinas, boa surpresa: todas os centros/faculdades são integrados, de modo que eu posso escolher as disciplinas que desejo fazer na filosofia, sociologia, antropologia, direto, sem burocracia, sem maiores dificuldades. Passei uns bons minutos investigando todas as áreas, é um mundo de possibilidades de estudo que se anuncia. E o melhor, de antemão, todo o material bibliográfico e a metodologia de avaliação e de aulas já está disponível no sistema, sem sustos. :)
Muito esperançosa com o futuro e com a nova casa.

quinta-feira, janeiro 28

Em boa companhia...


Sou uma grande fã de coletâneas de contos e crônicas, que são muito providenciais naqueles momentos da vida em que o esgotamento mental é tamanho que não há disposição de espírito para qualquer romance, mesmo aqueles mais leves. Por isso costumo manter sempre um livrinho desses à mão para uma necessidade e confesso que os do Fernando Sabino são os melhores.

Fiquei muito feliz quando, numa dessas buscas desinteressadas na livraria, encontrei uma nova coletânea de contos do Machado de Assis, em 6 volumes, organizada pelo João Cezar de Castro Rocha, como resultado de uma pesquisa fomentada pelo CNPq, através da FAPERJ.


São os volumes:
1) Música e Literatura;
2) Adultério e Ciúme;
3) Filosofia;
4) Dissimulação e Vaidade;
5) Política e Escravidão;
6) Desrazão.

Achei muito boa a divisão temática, porque facilita o trabalho de comparação do estilo, o modo como o autor amadureceu os temas. Cada volume é introduzido por uma análise crítica muito útil e bem feita, que abre os olhos para determinadas “coincidências” entre os contos. Já disse uma vez, para o tremendo horror estético de um professor de literatura, que achava Machado um escritor de contos, não de romances. Apenas quis dizer que prefiro os contos aos romances, de modo que fiquei muito feliz quando tive o contato com esses volumes.

Ontem à noite fui dormir com essa elegância:

“Sim, meu senhor, os adjetivos nascem de um lado, e os substantivos de outro, e toda a sorte de vocábulos está assim dividida por motivo de diferença sexual...

- Sexual?
Sim, minha senhora, sexual. As palavras têm sexo. Estou acabando a minha memória psico-léxico-lógica, em que exponho e demonstro esta descoberta. Palavras têm sexo.
- Mas, então, amam-se umas às outras?
Amam-se umas às outras. E casam-se. O casamento delas é o que chamamos estilo. Senhora minha, confesse que não entendeu nada.”

Em: O Cônego ou a Metafísica do Estilo (v. 1).
Editora: Record.

quarta-feira, janeiro 27

Isaiah Berlin e a Modernidade




Hoje iniciei a leitura da obra de Isaiah Berlin intitulada “Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno”. O livro, organizado por Henry Hardy, é composto por conferências do professor de Oxford, proferidas na década de 50, a respeito das idéias que “formam o capital intelectual básico do qual, com poucos acréscimos, vivemos até o presente” (pg. 61). O que o filósofo quer dizer, em termos simples, é que somos uma cultura essencialmente moderna, na ideia e na execução, em contraposição às concepções de pós-modernidade e crise do século XX que muitos gostam de alardear aos quatro ventos.

O autor parte de uma tese interessante para ilustrar as idéias básicas da era romântica, a que ele chama de tripé de pressuposições-chave ou “banco de três pés": segundo Berlin, toda a concepção filosófica da modernidade é baseada na certeza de que:


a) Todas as questões genuínas têm respostas únicas;
b) Que as respostas podem em princípio ser descobertas;
c) Que as respostas foram um todo coerente.

A metafísica iluminista, portanto. Ainda não avancei na leitura, mas o começo me pareceu muito interessante, a ponto de me afobar para apresentar esse início.

BERLIN, Isaiah. Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

P.S. Isaiah Berlin morreu em 1997 e a obra foi organizada por Henry Hardy, tendo em vista que o filósofo nunca a achou digna de ser publicada. Parece que Berlin era pouco sistemático em seus trabalhos intelectuais.






terça-feira, janeiro 26

Tempos d'Ouro


Essa poderia ser eu, caminhando na praia após um dia de aulas na Faculdade de Direito... Reparem na saia lápis, muito chique e tendência ;)
Fonte: http://biblioteca.ibge.gov.br

Ah, Fortaleza!


Na minha vida passada, eu e scastor moramos aqui, numa casa simpática na av. Santos Dumont.

Fonte: http://biblioteca.ibge.gov.br

sábado, janeiro 23

Acervo Raro



...

Obra de Hans Staden, de 1557.





A Universidade de São Paulo possui um acervo de obras raras invejável, que está ao alcance de todos nós através do site http://www.obrasraras.usp.br/. Boa parte dos livros estão digitalizados, o que permite a consulta de casa, na net, em excelente qualidade.
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PS. Reparem os monstrons sob as águas na primeira gravura, na obra do Staden. Genial. :)

O Chico nosso de todos os dias...

Hoje o post vai ser enorme. Acordei cedo e ontem fui dormir com os olhos vermelhos. A música do Chico me inspirou (e aflorou as emoções). A reflexão será sobre como esse papo de arrume-se para si ou sinta-se poderosa independente do outro é uma grande falácia. O único jeito de se sentir bem-bonita-desejada-poderosa é através do olhar-toque-amor do outro. Isso é... Então:

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feitaE de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Chico Buarque


A Música é um primor. Versos como “meu corpo é testemunha do bem que ele me faz” são poesia (e verdade pura). A sensação de leveza, de bem-estar, de plenitude (por que não?) depois de uma boa noite. Indiscutível.

Enfim, a tese é a de que, sim, apesar da queima dos sutiãs, as mulheres precisam, sim, e muito, da virilidade masculina para se sentir beijada “até a alma”.

Ah, o Chico lá em casa... ;)

sexta-feira, janeiro 22

Corinthum

Hoje estou numa ansiedade terrível, apesar de não ter feito absolutamente nada de útil durante o dia. Como mecanismo de proteção do ego, termino o dia com:
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Non cuivis homini contingit adire a Corinthum, Horácio.
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Nem a todos é dado chegar a Corinto.
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Fonte: TOSI, Renzo. Dicionário de Sentenças Latinas e Gregas. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

quinta-feira, janeiro 21

Le prochain...

A próxima leitura será: O Planalto e a Estepe, do Pepetela.



Na contracapa: Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 1960, em Moscou, nasce um amor proibido.
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Baseada em fatos verídicos, romanceados pelo autor; esta história põe em evidência o vazio dos discursos deológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor; numa rota que liga um ponto perdido da África a outro da Ásia, passando pela Europa e até Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez menor.

Para sonhar...


...com as caminhadas de Chieko em Kyoto.


Lattes

Ontem fiquei sabendo que o meu orientador já me incluiu no seu lattes, na sessão "orientações em andamento". O sentimento de aceitação e de grata felicidade foi muito bem-vindo, especialmente após um jantarzinho muito agradável com amigos. Ganhei de raquelita uma caixa de chocolates tailandeses que são dos deuses. Têm forma de elefantinhos e, dentro, nozes e castanhas. Muito bons! :)
O lattes é uma espécie de "orkut dos nerds", com o colega Paulo, também da USP, bem definiu no dia de nossas entrevistas, ainda na seleção. Precisa saber qualquer informaçãozinha sobre fulano ou sicrano? O lattes resolve. Na maior parte do tempo, tenho a convicção de que a plataforma lattes serve mais a questões pessoais que estritamente acadêmicas. Mas, enfim, o mundo hoje é o da comunicação eterna, inclusive entre dados.
Terminei a leitura de Kyoto, de Yasunari Kawabata, e o livro é realmente belíssimo, pelas imagens, pelo diferente modo de enfrentar a vida, as dificuldades, até o fim, que não é exatamente um fim. Os livros sempre acabam sem mais nem menos, o que dá uma certa desesperança: afinal, é sempre um devir, um recomeço, uma nova batalha.
Bons dias vazios!

terça-feira, janeiro 19

Império, Liberalismo e as Escolas de Direito..

Como, no Brasil, Império e Liberalismo são ideias que podem, perfeitamente, vir juntas, aproveito para colocar um trechinho de uma obra muito esclarecedora, sobre o contexto de criação das escolas de direito no Brasil e do seu caráter conservador (apesar de liberal)... confuso? Não! Brasileiro.
"Ao contrário da Coroa espanhola, que desde o século XVI dotou suas colônias de universidades, Portugual não incentivou a emergência de instituições culturais autônomas e laicas, que só surgem a partir do século XIX, quando o país supera seu estatuto político de Colônia.
No caso brasileiro, os dois mais importantes centros de recepção, elaboração e difusão de idéias à época são as já referidas Escolas de Direito. Na Academia Paulista foi gestada a modalidade brasileira de Liberalismo, o que representou um tour de force de adaptação do modelo europeu, tendo em vista a conjunto sociopolítica brasileira, marcada por uma realidade escravocrata, por um Estado monárquico e patrimonial e, ainda, pela dependência econômica e cultural das nações centrais" (VELOSO, Mariza; MADEIRA, Angélica. Leituras Brasileiras: Itinerários no Pensamento Social e na Literatura. São Paulo: Paz e Terra, 1999, pg. 70)

Chez moi e o conforto de si...

Há uns dois dias estou com a convicção filosófica de que fui vítima de um grave desencontro do destino. Vítima é modo de falar, obviamente, considerando que há, sempre, uma parcela de responsabilidade nos erros (nossos e alheios) de que fazemos parte.
Minha tentativa agora é de descobrir um modo de encontrar o que foi desencontrado. Ontem fui deitar e passei uns bons minutos olhando as mãos, os pés, os poros, numa tentativa desesperada de conforto em mim. Preciso me acostumar a minha própria companhia. Como eu escrevo para ninguém, não me incomodo mais de "compartilhar" certas intimidades.

Olá, Facvldade de Direito!












Foto da fachada da faculdade, linda, linda. O relógio é original do século XIX. Essa fachada dá para o Largo São Francisco.

segunda-feira, janeiro 18

O Drummond que não é de ninguém, nem da outra...

Sigo com o ânimo de um bicho-preguiça. Hoje foi um dia agridoce. Em parte pela ausência de algo verdadeiramente objetivo para fazer, além dos trabalhos científicos aos quais eu não me sinto disposta intelectualmente, em parte pela sensação de vazio e de solidão que costuma acompanhar esses dias. Almocei com uma grande amiga e recebi uma ligação no meio da manhã como não recebia há tanto tempo: alô? Só liguei pra saber como você tá, se tá tudo bem?! Não se sabe nem como reagir direito.

Daqui a pouquinho terei uma aula da saudade de ex-alunos para ir. Estou tão apreensiva com esse compromisso! Oh, Deus, não sei se fico ou se passo. Vou terminar hoje com um poema. Na verdade, só escrevi porque preciso me habituar a isso. A universidade segue sem divulgar as disciplinas, o que me tem deixado entre ansiosa e descrente. A Drummond, vamos lá.
CANÇÃO DA MOÇA-FANTASMA DE BELO HORIZONTE

(...)

E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e que beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os carros que passam
com choferes que não suspeitam
de minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! Um quis me prender.
Abri-lhe os braços...Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco...
Podeis ver: o que era corpo
foi comido pelo gato.

ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Sentimento de Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2001, pg. 23.
P.S Esse é inegavelmente o meu livro preferido do Drummond. Preciso comprar um novo: sempre que abro a capa, com o ânimo de ler e me sentir um pouco menos desamparada, deparo com a dedicatória apaixonada da ex-namorada do meu marido. Só para vocês terem noção de como eu realmente gosto do livro, a ponto de continuar lendo...
*Sigh*

sábado, janeiro 16

En Train de... Kyoto!



Estou de volta a Fortaleza para mais quatro semanas antes do retorno a São Paulo. Voo cansativo, como sempre, o desgaste do contato estranho, o medo de altura, a certeza de que há algo de terrivelmente errado com o avião e que a voz do piloto transparece algum temor do inevitável. Não sei por que sou tão preocupada com essas viagens aéreas. Quando se tem de morrer, se morre.









Nesse momento de intervalo, de trânsito, creio que minha principal companhia será mesmo a literatura. Estou lendo um livro do Yasunari Kawabata, chamado Kyoto. Já é o terceiro, depois de A Dançarina de Izu e Beleza e Tristeza. Sempre termino os livros de Kawabata com a certeza de que a estética oriental não é para mim, mas esse, especificamente, é tão suave e delicado! A descrição da floração das cerejeiras, a observação da primavera, a contemplação meditativa que antecede a preparação de um quimono. É o retrato de um Japão que não existe mais, de um Japão em câmera lenta.


Só um trechinho, para ilustrar:


O mais espetacular, entretanto, é a variedade de cerejeiras cor-de-rosa de ramos pendentes que adornam o jardim sagrado do santuário. Não há nada mais representativo da primavera de Kyoto do que essas cerejeiras. É o que dizem.

Tão logo passou pela porta do jardim sagrado, Chieko sentiu até o fundo de seu coração o esplendor da plena florescência das cerejeiras de ramos pendentes. Ah! Havia encontrado a primavera de Kyoto mais uma vez, pensou. E ficou a contemplá-las. (pg. 20)


Apesar da suposta pausa, tenho alguns afazeres acadêmicos que precisam ser contornados antes da minha viagem: um artigo para um livro de homenagens e o texto final da monografia, que não faço ideia com que energia irei terminar (e começar, considerando que só há a introdução redigida). C’est ça, la solitude. Chez moi, plus douce.

P.S. A editora Estação Liberdade está publicando toda a obra do Kawabata em tradução direta do japonês. A qualidade é infinitamente superior. Recomendo essa versão.


sexta-feira, janeiro 15

La Belle

Fonte: www.arcadas.org.br

O Decreto

Eis o texto do decreto imperial de 1827:

Dom Pedro Primeiro por graça de Deus e unanime acclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor perpétuo do Brasil, fazemos saber a todos os nossos súditos que Assembléia Geral decretou e Nós queremos a Lei seguinte:
Art. 1. Crear-se-ão dous cursos de sciencias jurídicas e sociais , hum na cidade de São Paulo e outro na de Olinda, e nelles no espaço de cinco annos e nove cadeiras, se ensinarão as matérias seguintes:

.....

Dado no Palácio do Rio de Janeiro aos onze dias do mez de Agosto de mil oitocentos e vinte sete. Sexto da Independência e do Império

quinta-feira, janeiro 14

Un peu d'histoire

Como nem tudo é melancolia, resolvi compartilhar algumas informações sobre o lugar onde vou estudar. Uma das grandes características que me fascinam no lugar é a sua história: apesar de jovem em relação às grandes escolas europeias, a faculdade de direito da USP tem quase 200 anos e, junto com a faculdade de direito de Olinda, ilustra o início do projeto civilizatório empreendido pela transferência da corte portuguesa ao Brasil, em 1808. A faculdade de direito foi criada por decreto imperial, em 1827, com a intenção de criar uma elite de juristas ilustrada, capaz de orientar o progresso nacional. Não entrarei no mérito de quão elitista e conservadora a faculdade sempre foi, mas é inegável que as escolas de direito (inclusive a nossa centenária faculdade da UFC) foram os centros difusores da cultura iluminista francesa no fim do século XIX, começo do século XX (não esqueçamos que o Brasil importa suas tendências intelectuais com certo atraso, sempre).

A FDUSP sempre esteve muito ligada à literatura, de algum modo. Grandes nomes foram alunos nas Arcadas: Álvares de Azevedo, Castro Alves, Raduan Nassar, enfim, inúmeros. Inegavelmente, a faculdade representou, no século XIX, um ambiente muito propício ao movimento romântico, razão por que o poeta Álvares de Azevedo parece ser o nome que mais marcou a instituição: lê-se seu nome logo na entrada, esculpido sobre a porta de quase três metros. Apesar de sombrio, o lugar é realmente lindo, em termos arquitetônicos. Assim que adquirir minha máquina, posto fotos.

L'entrée

Cheguei em São Paulo no dia 11 com a finalidade de realizar a minha matrícula na faculdade e procurar um lugar para ficar. Já são quatro dias: a matrícula foi feita na primeira oportunidade (saí do aeroporto, depois de 10 horas de viagem, direto para a faculdade), mas a busca por um lugar para ficar tem sido um grande fracasso. Os lugares são muito caros, ou inacessíveis, ou indisponíveis, considerando que ainda falta um mês para que eu venha me instalar definitivamente.

Em resumo, o que posso dizer é que fui tomada por uma apatia bem conhecida, quando me afasto dos meus fantasmas em casa, e, por alguma coisa, arrumo um jeito de me punir à distância, que é essa melancolia e falta de vida.

Quando saí de casa, no dia 10, minha passagem de vinda (sem volta próxima) já estava marcada: dia 13 de fevereiro. Frio na barriga.