domingo, janeiro 31

Carrousel


Há algo que vale a pena nessa mudança toda: você pode ser quem você quiser, certo?

Musiquinha de domingo: Stay out of trouble, Kings of Convenience

I walked around for hours, two ten pence pieces in my hand
I was alone and freezing, still trying hard to understand you
I left the others knowing I had to work this by myself
but now the feeling's growing, I would be better off with their help
so baby, what we've got has lately, not been enough
I wish I had your scarf still, that once embraced and kept me warm.
I wish you could be with me, in these last days when I am still hopelessly poor
stay out of trouble, stay in touch
try not to think about me too much
***

A vida é um eterno domingo...



Winslow Homer




Pierre Auguste Renoir





...




Para ficar feliz com o sol.

Le numéro!

Enfim, depois de várias semanas de ansiedade e espera, saiu o número USP, que equivale ao número de matrícula. Muito feliz, porque finalmente me sinto parte da Universidade. Entrei no sistema online para efetuar a inclusão das disciplinas, boa surpresa: todas os centros/faculdades são integrados, de modo que eu posso escolher as disciplinas que desejo fazer na filosofia, sociologia, antropologia, direto, sem burocracia, sem maiores dificuldades. Passei uns bons minutos investigando todas as áreas, é um mundo de possibilidades de estudo que se anuncia. E o melhor, de antemão, todo o material bibliográfico e a metodologia de avaliação e de aulas já está disponível no sistema, sem sustos. :)
Muito esperançosa com o futuro e com a nova casa.

quinta-feira, janeiro 28

Em boa companhia...


Sou uma grande fã de coletâneas de contos e crônicas, que são muito providenciais naqueles momentos da vida em que o esgotamento mental é tamanho que não há disposição de espírito para qualquer romance, mesmo aqueles mais leves. Por isso costumo manter sempre um livrinho desses à mão para uma necessidade e confesso que os do Fernando Sabino são os melhores.

Fiquei muito feliz quando, numa dessas buscas desinteressadas na livraria, encontrei uma nova coletânea de contos do Machado de Assis, em 6 volumes, organizada pelo João Cezar de Castro Rocha, como resultado de uma pesquisa fomentada pelo CNPq, através da FAPERJ.


São os volumes:
1) Música e Literatura;
2) Adultério e Ciúme;
3) Filosofia;
4) Dissimulação e Vaidade;
5) Política e Escravidão;
6) Desrazão.

Achei muito boa a divisão temática, porque facilita o trabalho de comparação do estilo, o modo como o autor amadureceu os temas. Cada volume é introduzido por uma análise crítica muito útil e bem feita, que abre os olhos para determinadas “coincidências” entre os contos. Já disse uma vez, para o tremendo horror estético de um professor de literatura, que achava Machado um escritor de contos, não de romances. Apenas quis dizer que prefiro os contos aos romances, de modo que fiquei muito feliz quando tive o contato com esses volumes.

Ontem à noite fui dormir com essa elegância:

“Sim, meu senhor, os adjetivos nascem de um lado, e os substantivos de outro, e toda a sorte de vocábulos está assim dividida por motivo de diferença sexual...

- Sexual?
Sim, minha senhora, sexual. As palavras têm sexo. Estou acabando a minha memória psico-léxico-lógica, em que exponho e demonstro esta descoberta. Palavras têm sexo.
- Mas, então, amam-se umas às outras?
Amam-se umas às outras. E casam-se. O casamento delas é o que chamamos estilo. Senhora minha, confesse que não entendeu nada.”

Em: O Cônego ou a Metafísica do Estilo (v. 1).
Editora: Record.

quarta-feira, janeiro 27

Isaiah Berlin e a Modernidade




Hoje iniciei a leitura da obra de Isaiah Berlin intitulada “Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno”. O livro, organizado por Henry Hardy, é composto por conferências do professor de Oxford, proferidas na década de 50, a respeito das idéias que “formam o capital intelectual básico do qual, com poucos acréscimos, vivemos até o presente” (pg. 61). O que o filósofo quer dizer, em termos simples, é que somos uma cultura essencialmente moderna, na ideia e na execução, em contraposição às concepções de pós-modernidade e crise do século XX que muitos gostam de alardear aos quatro ventos.

O autor parte de uma tese interessante para ilustrar as idéias básicas da era romântica, a que ele chama de tripé de pressuposições-chave ou “banco de três pés": segundo Berlin, toda a concepção filosófica da modernidade é baseada na certeza de que:


a) Todas as questões genuínas têm respostas únicas;
b) Que as respostas podem em princípio ser descobertas;
c) Que as respostas foram um todo coerente.

A metafísica iluminista, portanto. Ainda não avancei na leitura, mas o começo me pareceu muito interessante, a ponto de me afobar para apresentar esse início.

BERLIN, Isaiah. Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

P.S. Isaiah Berlin morreu em 1997 e a obra foi organizada por Henry Hardy, tendo em vista que o filósofo nunca a achou digna de ser publicada. Parece que Berlin era pouco sistemático em seus trabalhos intelectuais.






terça-feira, janeiro 26

Tempos d'Ouro


Essa poderia ser eu, caminhando na praia após um dia de aulas na Faculdade de Direito... Reparem na saia lápis, muito chique e tendência ;)
Fonte: http://biblioteca.ibge.gov.br

Ah, Fortaleza!


Na minha vida passada, eu e scastor moramos aqui, numa casa simpática na av. Santos Dumont.

Fonte: http://biblioteca.ibge.gov.br

sábado, janeiro 23

Acervo Raro



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Obra de Hans Staden, de 1557.





A Universidade de São Paulo possui um acervo de obras raras invejável, que está ao alcance de todos nós através do site http://www.obrasraras.usp.br/. Boa parte dos livros estão digitalizados, o que permite a consulta de casa, na net, em excelente qualidade.
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PS. Reparem os monstrons sob as águas na primeira gravura, na obra do Staden. Genial. :)

O Chico nosso de todos os dias...

Hoje o post vai ser enorme. Acordei cedo e ontem fui dormir com os olhos vermelhos. A música do Chico me inspirou (e aflorou as emoções). A reflexão será sobre como esse papo de arrume-se para si ou sinta-se poderosa independente do outro é uma grande falácia. O único jeito de se sentir bem-bonita-desejada-poderosa é através do olhar-toque-amor do outro. Isso é... Então:

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feitaE de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
Chico Buarque


A Música é um primor. Versos como “meu corpo é testemunha do bem que ele me faz” são poesia (e verdade pura). A sensação de leveza, de bem-estar, de plenitude (por que não?) depois de uma boa noite. Indiscutível.

Enfim, a tese é a de que, sim, apesar da queima dos sutiãs, as mulheres precisam, sim, e muito, da virilidade masculina para se sentir beijada “até a alma”.

Ah, o Chico lá em casa... ;)

sexta-feira, janeiro 22

Corinthum

Hoje estou numa ansiedade terrível, apesar de não ter feito absolutamente nada de útil durante o dia. Como mecanismo de proteção do ego, termino o dia com:
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Non cuivis homini contingit adire a Corinthum, Horácio.
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Nem a todos é dado chegar a Corinto.
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Fonte: TOSI, Renzo. Dicionário de Sentenças Latinas e Gregas. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

quinta-feira, janeiro 21

Le prochain...

A próxima leitura será: O Planalto e a Estepe, do Pepetela.



Na contracapa: Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 1960, em Moscou, nasce um amor proibido.
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Baseada em fatos verídicos, romanceados pelo autor; esta história põe em evidência o vazio dos discursos deológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor; numa rota que liga um ponto perdido da África a outro da Ásia, passando pela Europa e até Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez menor.

Para sonhar...


...com as caminhadas de Chieko em Kyoto.


Lattes

Ontem fiquei sabendo que o meu orientador já me incluiu no seu lattes, na sessão "orientações em andamento". O sentimento de aceitação e de grata felicidade foi muito bem-vindo, especialmente após um jantarzinho muito agradável com amigos. Ganhei de raquelita uma caixa de chocolates tailandeses que são dos deuses. Têm forma de elefantinhos e, dentro, nozes e castanhas. Muito bons! :)
O lattes é uma espécie de "orkut dos nerds", com o colega Paulo, também da USP, bem definiu no dia de nossas entrevistas, ainda na seleção. Precisa saber qualquer informaçãozinha sobre fulano ou sicrano? O lattes resolve. Na maior parte do tempo, tenho a convicção de que a plataforma lattes serve mais a questões pessoais que estritamente acadêmicas. Mas, enfim, o mundo hoje é o da comunicação eterna, inclusive entre dados.
Terminei a leitura de Kyoto, de Yasunari Kawabata, e o livro é realmente belíssimo, pelas imagens, pelo diferente modo de enfrentar a vida, as dificuldades, até o fim, que não é exatamente um fim. Os livros sempre acabam sem mais nem menos, o que dá uma certa desesperança: afinal, é sempre um devir, um recomeço, uma nova batalha.
Bons dias vazios!

terça-feira, janeiro 19

Império, Liberalismo e as Escolas de Direito..

Como, no Brasil, Império e Liberalismo são ideias que podem, perfeitamente, vir juntas, aproveito para colocar um trechinho de uma obra muito esclarecedora, sobre o contexto de criação das escolas de direito no Brasil e do seu caráter conservador (apesar de liberal)... confuso? Não! Brasileiro.
"Ao contrário da Coroa espanhola, que desde o século XVI dotou suas colônias de universidades, Portugual não incentivou a emergência de instituições culturais autônomas e laicas, que só surgem a partir do século XIX, quando o país supera seu estatuto político de Colônia.
No caso brasileiro, os dois mais importantes centros de recepção, elaboração e difusão de idéias à época são as já referidas Escolas de Direito. Na Academia Paulista foi gestada a modalidade brasileira de Liberalismo, o que representou um tour de force de adaptação do modelo europeu, tendo em vista a conjunto sociopolítica brasileira, marcada por uma realidade escravocrata, por um Estado monárquico e patrimonial e, ainda, pela dependência econômica e cultural das nações centrais" (VELOSO, Mariza; MADEIRA, Angélica. Leituras Brasileiras: Itinerários no Pensamento Social e na Literatura. São Paulo: Paz e Terra, 1999, pg. 70)

Chez moi e o conforto de si...

Há uns dois dias estou com a convicção filosófica de que fui vítima de um grave desencontro do destino. Vítima é modo de falar, obviamente, considerando que há, sempre, uma parcela de responsabilidade nos erros (nossos e alheios) de que fazemos parte.
Minha tentativa agora é de descobrir um modo de encontrar o que foi desencontrado. Ontem fui deitar e passei uns bons minutos olhando as mãos, os pés, os poros, numa tentativa desesperada de conforto em mim. Preciso me acostumar a minha própria companhia. Como eu escrevo para ninguém, não me incomodo mais de "compartilhar" certas intimidades.

Olá, Facvldade de Direito!












Foto da fachada da faculdade, linda, linda. O relógio é original do século XIX. Essa fachada dá para o Largo São Francisco.

segunda-feira, janeiro 18

O Drummond que não é de ninguém, nem da outra...

Sigo com o ânimo de um bicho-preguiça. Hoje foi um dia agridoce. Em parte pela ausência de algo verdadeiramente objetivo para fazer, além dos trabalhos científicos aos quais eu não me sinto disposta intelectualmente, em parte pela sensação de vazio e de solidão que costuma acompanhar esses dias. Almocei com uma grande amiga e recebi uma ligação no meio da manhã como não recebia há tanto tempo: alô? Só liguei pra saber como você tá, se tá tudo bem?! Não se sabe nem como reagir direito.

Daqui a pouquinho terei uma aula da saudade de ex-alunos para ir. Estou tão apreensiva com esse compromisso! Oh, Deus, não sei se fico ou se passo. Vou terminar hoje com um poema. Na verdade, só escrevi porque preciso me habituar a isso. A universidade segue sem divulgar as disciplinas, o que me tem deixado entre ansiosa e descrente. A Drummond, vamos lá.
CANÇÃO DA MOÇA-FANTASMA DE BELO HORIZONTE

(...)

E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e que beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os carros que passam
com choferes que não suspeitam
de minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! Um quis me prender.
Abri-lhe os braços...Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco...
Podeis ver: o que era corpo
foi comido pelo gato.

ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Sentimento de Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2001, pg. 23.
P.S Esse é inegavelmente o meu livro preferido do Drummond. Preciso comprar um novo: sempre que abro a capa, com o ânimo de ler e me sentir um pouco menos desamparada, deparo com a dedicatória apaixonada da ex-namorada do meu marido. Só para vocês terem noção de como eu realmente gosto do livro, a ponto de continuar lendo...
*Sigh*

sábado, janeiro 16

En Train de... Kyoto!



Estou de volta a Fortaleza para mais quatro semanas antes do retorno a São Paulo. Voo cansativo, como sempre, o desgaste do contato estranho, o medo de altura, a certeza de que há algo de terrivelmente errado com o avião e que a voz do piloto transparece algum temor do inevitável. Não sei por que sou tão preocupada com essas viagens aéreas. Quando se tem de morrer, se morre.









Nesse momento de intervalo, de trânsito, creio que minha principal companhia será mesmo a literatura. Estou lendo um livro do Yasunari Kawabata, chamado Kyoto. Já é o terceiro, depois de A Dançarina de Izu e Beleza e Tristeza. Sempre termino os livros de Kawabata com a certeza de que a estética oriental não é para mim, mas esse, especificamente, é tão suave e delicado! A descrição da floração das cerejeiras, a observação da primavera, a contemplação meditativa que antecede a preparação de um quimono. É o retrato de um Japão que não existe mais, de um Japão em câmera lenta.


Só um trechinho, para ilustrar:


O mais espetacular, entretanto, é a variedade de cerejeiras cor-de-rosa de ramos pendentes que adornam o jardim sagrado do santuário. Não há nada mais representativo da primavera de Kyoto do que essas cerejeiras. É o que dizem.

Tão logo passou pela porta do jardim sagrado, Chieko sentiu até o fundo de seu coração o esplendor da plena florescência das cerejeiras de ramos pendentes. Ah! Havia encontrado a primavera de Kyoto mais uma vez, pensou. E ficou a contemplá-las. (pg. 20)


Apesar da suposta pausa, tenho alguns afazeres acadêmicos que precisam ser contornados antes da minha viagem: um artigo para um livro de homenagens e o texto final da monografia, que não faço ideia com que energia irei terminar (e começar, considerando que só há a introdução redigida). C’est ça, la solitude. Chez moi, plus douce.

P.S. A editora Estação Liberdade está publicando toda a obra do Kawabata em tradução direta do japonês. A qualidade é infinitamente superior. Recomendo essa versão.


sexta-feira, janeiro 15

La Belle

Fonte: www.arcadas.org.br

O Decreto

Eis o texto do decreto imperial de 1827:

Dom Pedro Primeiro por graça de Deus e unanime acclamação dos povos, Imperador Constitucional e Defensor perpétuo do Brasil, fazemos saber a todos os nossos súditos que Assembléia Geral decretou e Nós queremos a Lei seguinte:
Art. 1. Crear-se-ão dous cursos de sciencias jurídicas e sociais , hum na cidade de São Paulo e outro na de Olinda, e nelles no espaço de cinco annos e nove cadeiras, se ensinarão as matérias seguintes:

.....

Dado no Palácio do Rio de Janeiro aos onze dias do mez de Agosto de mil oitocentos e vinte sete. Sexto da Independência e do Império

quinta-feira, janeiro 14

Un peu d'histoire

Como nem tudo é melancolia, resolvi compartilhar algumas informações sobre o lugar onde vou estudar. Uma das grandes características que me fascinam no lugar é a sua história: apesar de jovem em relação às grandes escolas europeias, a faculdade de direito da USP tem quase 200 anos e, junto com a faculdade de direito de Olinda, ilustra o início do projeto civilizatório empreendido pela transferência da corte portuguesa ao Brasil, em 1808. A faculdade de direito foi criada por decreto imperial, em 1827, com a intenção de criar uma elite de juristas ilustrada, capaz de orientar o progresso nacional. Não entrarei no mérito de quão elitista e conservadora a faculdade sempre foi, mas é inegável que as escolas de direito (inclusive a nossa centenária faculdade da UFC) foram os centros difusores da cultura iluminista francesa no fim do século XIX, começo do século XX (não esqueçamos que o Brasil importa suas tendências intelectuais com certo atraso, sempre).

A FDUSP sempre esteve muito ligada à literatura, de algum modo. Grandes nomes foram alunos nas Arcadas: Álvares de Azevedo, Castro Alves, Raduan Nassar, enfim, inúmeros. Inegavelmente, a faculdade representou, no século XIX, um ambiente muito propício ao movimento romântico, razão por que o poeta Álvares de Azevedo parece ser o nome que mais marcou a instituição: lê-se seu nome logo na entrada, esculpido sobre a porta de quase três metros. Apesar de sombrio, o lugar é realmente lindo, em termos arquitetônicos. Assim que adquirir minha máquina, posto fotos.

L'entrée

Cheguei em São Paulo no dia 11 com a finalidade de realizar a minha matrícula na faculdade e procurar um lugar para ficar. Já são quatro dias: a matrícula foi feita na primeira oportunidade (saí do aeroporto, depois de 10 horas de viagem, direto para a faculdade), mas a busca por um lugar para ficar tem sido um grande fracasso. Os lugares são muito caros, ou inacessíveis, ou indisponíveis, considerando que ainda falta um mês para que eu venha me instalar definitivamente.

Em resumo, o que posso dizer é que fui tomada por uma apatia bem conhecida, quando me afasto dos meus fantasmas em casa, e, por alguma coisa, arrumo um jeito de me punir à distância, que é essa melancolia e falta de vida.

Quando saí de casa, no dia 10, minha passagem de vinda (sem volta próxima) já estava marcada: dia 13 de fevereiro. Frio na barriga.