sábado, fevereiro 27

Passeando


Bem me quer, mal me quer...




Exposição sob o MASP.




Caminhando, pensando na vida, sentindo o cheiro da metrópole.


sexta-feira, fevereiro 26

Me consola, São Paulo.


Visão da Rua da Consolação, de dentro do HSBC Belas Artes. Movimento, movimento...

Fotos!

Agora que minha câmera chegou (finalmente!), pude fazer minha primeira experiência fotográfica. Essa é a vista da minha janela. Vista que se abre para um mundo de gente, de vidas, de cores. A cada janelinha, um alguém. Eu gosto de vistas infinitas, mas confesso que é um encantamento olhar pela sacada e encontrar esse mundo de gente falando, interagindo, dormindo, twittando. Me sinto menos só.


Há um mundo novo para explorar com minha canon a480. Miudinha, discreta, implacável.


quinta-feira, fevereiro 25

An education


Há uns dois dias assisti o filme "Educação" no cinebombril do Conjunto Nacional, que recomendo bastante pelo conforto, praticidade e tranquilidade. O filme trata do projeto de uma família de classe média inglesa de enviar sua filha única para Oxford, a fim de estudar Inglês, "read english". Jenny é uma adolescente de 16 anos brilhante, inteligente e madura demais para sua idade, o que faz com que a personagem seja simplesmente encantadora, ofuscando todos os demais no filme. Eu gostei muito, apesar de achar um pouco lento.
O melhor do filme são os diálogos inteligentes, a ironia de Jenny, a ideia de viver a vida intensamente, evitando o tédio. Já quase no final, Jenny esclarece tudo: não há atalhos para a vida que eu quero levar.


It rains

Gostaria de ter muito para falar. Não há nada, por enquanto. Ontem fui a um café na Augusta encontrar com os outros orientandos do meu orientador. Foi muito agradável poder conversar um pouco, interagir socialmente. A uma certa hora, uma cerveja foi pedida, e eu pensei: por que não? Até que não era intragável, devo ter bebido metade de um copo. Solidão do tamanho do mundo, mas não me sinto em desespero, só um pouco perdida e culpada pela existência. Enfim, lamúrias, lamúrias. Biblioteca fechada até 15 de março. Aulas que começam apenas em 8 de março. Acho que hoje assistirei “Nova York, eu te amo”.

Uma chuva muito boa me acordou hoje. Frescor, finalmente.

terça-feira, fevereiro 23

Perspectiva

Por toda a minha existência sempre cri que estivesse à frente do projeto da minha vida. O que fazer, decisões a tomar, emoções. Em alguns momentos, pode-se dizer que isso foi verdade. Fazer o mestrado, estudar francês em vez de espanhol, enfim. Agora estou numa cidade estranha, com todo o tempo do mundo para fazer o que tiver vontade, e o horizonte parece inteiramente sem perspectivas. É preciso assumir as rédeas. Definir as intenções de futuro. Tentar ser independente da vontade dos outros. Não que a interferência seja direta. Mas há um fator de culpa que me move a sempre fazer o que eu acho vá ser aprovado. Aqui, morando sozinha, sem ninguém esperando minha volta para casa, sem atividades objetivas a fazer pelas próximas duas semanas, é só o vazio... Juju, quem você quer ser quando crescer?

quinta-feira, fevereiro 18

American Dream


Acho que não dá pra viver em São Paulo e viver o sonho americano.

Pois

Hoje choveu forte em São Paulo, para aplacar o calor, para deixar o céu mais parecido com os sentimentos aqui dentro. Confesso que acho muito bonito ver o tempo fechar subitamente, o céu pesado, sensação de graves tragédias no ar úmido. Talvez amanhã já possa me considerar devidamente instalada, quem sabe? Uma casa? Um lar? Uma cama, um banheiro, uma rotina a ser construída. Hoje foi o dia de escolher um guarda-chuva. Desses grandes, incômodos, de pois marrom. Creiam-me, é uma graça.
***
Saudade de casa.
Não vejo a hora de ter minha câmera em mãos.

terça-feira, fevereiro 16

Shooting

Feliz porque em breve minha experiência será bastante visual também. Meu marido me comprou uma máquina digital, dessas discretinhas. Não vejo a hora de tê-la em mãos.

segunda-feira, fevereiro 15

Mormaço


Hoje foi um dia de calor terrível. São Paulo ferve. O mormaço nos deixa propícios a decisões trágicas. Sentir-se derreter lentamente, é só isso que há por aqui.

Fui ao shopping; fazer o que, meu Deus? Mas fui. Vou indo. Minha vida na mala, lá no fundo as esperanças de leveza e felicidade que eu trouxe.

Assisti a um filme hoje. Up in the air, amor sem escalas, com o lindo George Clooney. Sobre a vida para o trabalho e a vida além do trabalho. Acho que não conseguiria pensar em minha vida na perspectiva de uma mala de bordo. Eu preciso me instalar. Isso é...

domingo, fevereiro 14

É domingo de sol, Juju.

Hoje São Paulo me recebeu com um domingo lindo, um sol forte, céu sem nuvens. Claro como se fosse Fortaleza. Estou até feliz...

sexta-feira, fevereiro 12

Recadinho

Hoje, a Terezinha, um anjo que toma de conta da minha casa e das roupas do meu marido (que é muito exigente), deixou um recadinho muito feliz e esperançoso. Vale a pena compartilhar.

***
"Querida Juju,
Que Deus lhe abençõe. Que seu anjo da guarda não saia do seu lado um só instante. O tempo vai passar bem rapidinho, você vai ver, você vai aprender muita coisa, vai amadurecer. Se cuide. Vou rezar por você todo dia. Um abraço.
Tê."
***
Para ter esperança que dias melhores virão.

quinta-feira, fevereiro 11

Perda do sentido do belo e os escritores de meia tigela



Em seu livro “O Saber dos Antigos: Terapia para os Tempos Atuais”, Giovanni Reale identifica, como um dos problemas da Modernidade, a perda do sentido da forma (e por consequência, do belo).

Para o filósofo, o século XX trouxe uma ruptura entre o conteúdo e a forma no campo das artes, reduzindo o nível expressivo “à insignificância dos conteúdos”. Isto é, pouco importa a qualidade do conteúdo da obra, tendo a forma adquirido um valor em si mesma. O culto do formalismo. Segundo Reale, esse processo implica a perda das raízes metafísicas da forma, que, para a sabedoria grega, tem a função de mediar a transmissão dos conteúdos, atribuindo ordem à desordem.

Essa reflexão me parece muito pertinente para compreender as disfunções da literatura hoje. Escritores que, sob o argumento da experimentação da forma ao último grau, acabam por esvaziar o conteúdo da obra, perdendo por completo o sentido do belo que a arte busca atingir. Não esqueço de uma experiência muito esclarecedora (na ocasião, fui tratada como completa ignorante, por sinal). Era apresentação de um livro de poesias, em que os setenta e poucos poemas eram variação do mesmo poema: só se mudou pontos, vírgulas, sinônimos, coisas assim. Em resumo, o conteúdo era o mesmo, o que interessava mesmo era a forma. Na ocasião, confesso que achei isso tudo uma tremenda bobagem e muito gasto desnecessário de papel (Saulo, que é mais seco e direto, disse que fulano estava descobrindo o movimento modernista com algumas décadas de atraso). O autor, na ocasião, disse que “não tinha controle sobre o conteúdo”, que o importante era a reação das pessoas sobre a “experiência” literária. Quanta carência, ein?


A forma, na arte, tem uma função ontológica clara: emprestar a beleza ao conteúdo, oferecendo-lhe ordem. Por isso é que sentimos tanta beleza ao ler um Machado de Assis, pela construção impecável da forma, tendo em visto o conteúdo a ser transmitido.

O próprio Machado, em diversos dos seus contos, faz graça desses escritores que não fazem nada a não ser “alinhavar ninharias”. Tão atual, o machadinho. A proposta é: não ao formalismo, sim à beleza formal dos conteúdos artísticos!

Referência




REALE, Giovanni. O Saber dos Antigos: Terapia para os Tempos Atuais. São Paulo: Loyola, 2002, pg. 131-148.

Vai passar!

Fase nova da vida que se inicia, em cidade nova, o desconhecido e os desconhecidos: poder ser quem quiser. A grande pergunta é: você pode se reinventar mesmo com todos os seus vícios de comportamento? Há uma espécie de determinismo no nosso modo típico de existir ou há vários eus na manga? Nossas máscaras são sempre as mesmas?



É carnaval, Juju, tudo é possível.








Para sonhar com o carnaval em Veneza.

Música de Passarinho







Musiquinha muito suave: descobri ontem, durante um jantar, quase um sussurro. O nome do cd é "Sweet Jardin", e minha faixa preferida é "Aula de Francês". Vale uma escutadinha.



Vai, Juju, ser gauche na vida!

Terminando de arrumar as malas, ouvindo Tiê e pensando em Drummond e Cecília.



***
O poeta vai enchendo a mala,
põe camisas, punhos, loções,
um exemplar da Imitação
e parte para outros rumos
***
Carlos Drummond de Andrade
Fuga, em Alguma Poesia
***
Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
***
Cecília Meireles
Despedida, em Viagem Vaga Música

quarta-feira, fevereiro 10

La pluie, la pluie...

Atravessando a Alameda Santos, lá pela altura da estação Trianon-Masp, passa-se por um parque, cortado pela rua, e o cheiro de mato pesa, o ruído dos carros subitamente ameniza, o ritmo descansa. Hoje o dia começou aqui, em Fortaleza, com muita chuva, água forte, dessas de fazer barulho no telhado (alheio, já que o meu é inaudível, a não ser pela vizinha de 5 anos com a bola de basquete, dia sim, dia não).

Chuva remete ao mato, a Guaramiranga e o seu mosteiro, a Ubajara com seu Antônio contando suas histórias incríveis (a gente crê mais quando é noite, e a luz é pouca, e o vinho tranquiliza o grilo no jardim). Seu Antônio é cineasta e agricultor, só orgânicos, nada de agrotóxicos. As bergamotas de seu Antônio são mais perfumadas, os tomates mais vermelhos. A vida ali é uma impressão colorida. O dia hoje é para Monet e sua Giverny encantada.


terça-feira, fevereiro 9

Há alguém de olho em você...




Rembrandt, Autorretrato, Óleo sobre Tela, 1629.


Ele sempre foi um dos meus preferidos, indiscutivelmente. Nos intervalos de aula no 7 de Setembro, no recreio, de vez em quando uma escapulida para a biblioteca para uma olhadela nas obras. Sempre me senti menos só com esses olhares. Sim, eu já matei aula no colégio para apreciar a arte e em diversas ocasiões para ficar no laboratório de redação, estudando um pouco algo que não fosse geometria analítica. Acho que é perdoável, sim?

Drummond, que é rima e solução.

Epigrama para Emílio Moura

Tristeza de ver a tarde cair
como cai uma folha.
(No Brasil não há outono
mas as folhas caem.)

Tristeza de comprar um beijo
como quem compra jornal.
Os que amam sem amor
não terão o reino dos céus.

Tristeza de guardar um segredo
que todos sabem
e não contar a ninguém
(que esta vida não presta).


Carlos Drummond de Andrade, em Alguma Poesia, Record.

sábado, fevereiro 6

Vida Gauche

Hoje dei aula para uma turma de pós-graduação. Convite de última hora, boa oportunidade, enfim. Poucas foram as vezes em que estive em sala com tranquilidade, como se a minha vulnerabilidade não importasse, como se eu não me importasse com nada. Agradeci por não ter de estar à frente de várias turmas esse semestre, acho que meu peito se encheria de ansiedade e eu ficaria ainda mais só, eu e o frio na barriga de todos os dias.

É preciso continuar, mesmo que nada faça sentido, certo?

Vontade de perguntar:

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que era fraco.

Drummond, POEMA DE SETE FACES

quinta-feira, fevereiro 4

Vide

Hoje eu dava um dedo por um abraço. Não assim qualquer abraço, mas um abraço com gosto. Acho que todo mundo tem que começar uma viagem vertical na vida, para aprender a deixar, para aprender a ir embora. Ir embora de um modo de existência que não é sustentável, que não é satisfatório. Poder ser quem quiser, uma vez que seja, parece tentador.

Tudo isso é tão triste...

terça-feira, fevereiro 2

En train...de partir.


Hoje estou num desânimo só, em face da iminência da partida. Achei que esses dias por aqui seriam doces e bons, mas não. É pena. Comprei uma mala de mudança. Uma malona preta que cabe a vida. O vendedor da Casa Americana, muito simpático, me disse: "toda partida é uma dor, mas depois vem a alegria". Acho que ele não iria mentir.


...


Ouvindo Nat King Cole, aproveito para deixar uma imagem de leveza e felicidade: Fred Astaire e Ginger Rogers dançando. Para quem quiser vê-los dançando: http://www.youtube.com/watch?v=YV5e7mWcQJE