Sigo com o ânimo de um bicho-preguiça. Hoje foi um dia agridoce. Em parte pela ausência de algo verdadeiramente objetivo para fazer, além dos trabalhos científicos aos quais eu não me sinto disposta intelectualmente, em parte pela sensação de vazio e de solidão que costuma acompanhar esses dias. Almocei com uma grande amiga e recebi uma ligação no meio da manhã como não recebia há tanto tempo: alô? Só liguei pra saber como você tá, se tá tudo bem?! Não se sabe nem como reagir direito.
Daqui a pouquinho terei uma aula da saudade de ex-alunos para ir. Estou tão apreensiva com esse compromisso! Oh, Deus, não sei se fico ou se passo. Vou terminar hoje com um poema. Na verdade, só escrevi porque preciso me habituar a isso. A universidade segue sem divulgar as disciplinas, o que me tem deixado entre ansiosa e descrente. A Drummond, vamos lá.
Daqui a pouquinho terei uma aula da saudade de ex-alunos para ir. Estou tão apreensiva com esse compromisso! Oh, Deus, não sei se fico ou se passo. Vou terminar hoje com um poema. Na verdade, só escrevi porque preciso me habituar a isso. A universidade segue sem divulgar as disciplinas, o que me tem deixado entre ansiosa e descrente. A Drummond, vamos lá.
CANÇÃO DA MOÇA-FANTASMA DE BELO HORIZONTE
(...)
E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e que beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os carros que passam
com choferes que não suspeitam
de minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! Um quis me prender.
Abri-lhe os braços...Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco...
Podeis ver: o que era corpo
foi comido pelo gato.
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Sentimento de Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2001, pg. 23.
(...)
E vai, como não encontro
nenhum dos meus namorados,
que as francesas conquistaram,
e que beberam todo o uísque
existente no Brasil
(agora dormem embriagados),
espreito os carros que passam
com choferes que não suspeitam
de minha brancura e fogem.
Os tímidos guardas-civis,
coitados! Um quis me prender.
Abri-lhe os braços...Incrédulo,
me apalpou. Não tinha carne
e por cima do vestido
e por baixo do vestido
era a mesma ausência branca,
um só desespero branco...
Podeis ver: o que era corpo
foi comido pelo gato.
ANDRADE, Carlos Drummond de. In: Sentimento de Mundo. Rio de Janeiro: Record, 2001, pg. 23.
P.S Esse é inegavelmente o meu livro preferido do Drummond. Preciso comprar um novo: sempre que abro a capa, com o ânimo de ler e me sentir um pouco menos desamparada, deparo com a dedicatória apaixonada da ex-namorada do meu marido. Só para vocês terem noção de como eu realmente gosto do livro, a ponto de continuar lendo...
*Sigh*
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