
Ontem comecei a ler o livro "Pelas Janelas da Fazenda", da americana Ellen Bromfield Geld, recém lançado pela editora Objetiva. Como muitos dos livros que leio para passar o tempo, encontrei exposto na livraria, enquanto passeava à toa num domingo chuvoso e solitário na cidade grande. O livro me chamou atenção por dois motivos: a temática e o começo, que, apesar de um pouco cliché, me pareceu muito inspirador.
A obra reúne as memórias de Ellen desde quando ela chegou no Brasil, há cinquenta anos, com o marido, a fim de cultivar no interior de São Paulo. Trata-se de ˜um olhar de um americano sobre a vida no interior do Brasil", e isso me cativou, por se tratar de uma realidade que nunca vivi de modo mais intenso e próximo. Já li umas quarenta páginas e tem sido uma leitura agradável, apesar de alguns lugares comuns sobre o Brasil de um modo geral, os brasileiros e os nordestinos. Alguns adjetivos em excesso aqui e ali, mas nada que prejudique a fluência geral do texto.
Resolvi escrever esse post sobre esse assunto porque lembrei de uma entrevista do Tzvetan Todorov para a última BRAVO, sobre a literatura e paixão. Para o linguista, "os livros acumulam a sabedoria que os povos de toda a Terra adquiriram ao longo dos séculos. É improvável que a minha vida individual, em tão poucos anos, possa ter tanta riqueza quanto a soma de vidas representada pelos livros. Não se trata de substituir a experiência pela literatura, mas multiplicar uma pela outra. Não lemos para nos tornar especialistas em teoria literária, mas para aprender mais sobre a existência humana. Quando lemos, nos tornamos antes de qualquer coisa especialistas em vida. Adquirimos uma riqueza que não está apenas no acesso às idéias, mas também no conhecimento do ser humano em toda a sua diversidade."

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