
Em poucas horas estarei de volta à São Paulo, com a alegria de que amanhã as aulas finalmente começarão. Não vejo a hora de estar atribulada, cheia de obrigações, com mil e uma coisas por fazer. Ser estudante novamente, só me preocupar em chegar na hora, em terminar o artigo, em ler os livros a tempo. É muita sorte, grande oportunidade. Nesses meses de ociosidade, me senti especialmente culpada por não ter muito o que fazer de objetivo, de pontual. É muito triste o ritmo que a gente vive, que não admite esses espaços para reflexão. O bom é que, de fato, o tempo foi muito proveitoso para pensar sobre a vida, tecer planos para o futuro, refletir sobre o certo a fazer. Sinto uma calma maior, uma tranquilidade para enfrentar os passos da vida, ainda que a gente não saiba exatamente qual caminho deva seguir.
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Percebi que Fortaleza tem um cheiro que é de mar, especialmente aqui, perto de casa. Sexta-feira fui à padaria comprar pão e queijo, e a luz era tão intensa, o sol tão forte, que não pude deixar de me sentir na praia, em veraneio, à beira do mar, ouvindo as ondas quebrando com força. Tenho sentido a falta do contato com a natureza, com a água, o cheiro de mato. Há pouco, olhando pela janela, vi uma fileira de coqueiros lá longe e pensei que é muito bom viver aqui, apesar do calor, apesar da falta de civilidade, da falta de acesso à cultura, do ritmo excessivamente tropical das pessoas e dos lugares. Em Fortaleza, me sinto mais humana, apesar de tudo. Fortaleza é minha casa, é onde eu guardo os meus sonhos do porvir.
Querida, também amo Fortaleza. Aceito todas as críticas à cidade, mas tenho vontade de apresentar a porta do aeroporto aos reclamões.
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