quarta-feira, janeiro 27

Isaiah Berlin e a Modernidade




Hoje iniciei a leitura da obra de Isaiah Berlin intitulada “Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno”. O livro, organizado por Henry Hardy, é composto por conferências do professor de Oxford, proferidas na década de 50, a respeito das idéias que “formam o capital intelectual básico do qual, com poucos acréscimos, vivemos até o presente” (pg. 61). O que o filósofo quer dizer, em termos simples, é que somos uma cultura essencialmente moderna, na ideia e na execução, em contraposição às concepções de pós-modernidade e crise do século XX que muitos gostam de alardear aos quatro ventos.

O autor parte de uma tese interessante para ilustrar as idéias básicas da era romântica, a que ele chama de tripé de pressuposições-chave ou “banco de três pés": segundo Berlin, toda a concepção filosófica da modernidade é baseada na certeza de que:


a) Todas as questões genuínas têm respostas únicas;
b) Que as respostas podem em princípio ser descobertas;
c) Que as respostas foram um todo coerente.

A metafísica iluminista, portanto. Ainda não avancei na leitura, mas o começo me pareceu muito interessante, a ponto de me afobar para apresentar esse início.

BERLIN, Isaiah. Ideias Políticas na Era Romântica: Ascensão e Influência do Pensamento Moderno. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

P.S. Isaiah Berlin morreu em 1997 e a obra foi organizada por Henry Hardy, tendo em vista que o filósofo nunca a achou digna de ser publicada. Parece que Berlin era pouco sistemático em seus trabalhos intelectuais.






2 comentários:

  1. Adorei seu blog.
    Coincidência que li faz relativamente pouco tempo um livro organizado por Henry Hardy com os textos esparsos de Berlin, chamado "Liberty". Foi importante para alguns pontos que defendi na minha tese.
    Gostei demais deste que comentou, e de seus comentários. Vou procurá-lo. Concordo com você quanto à crítica ao pós-modernismo.
    Obrigado pela dica.
    um abraço!

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  2. Olá, Hugo! Realmente estou impressionada com a fluência do Berlin. Adoro essa temática específica, porque sempre achei que nós não conseguimos superar o Iluminismo em termos de projeto civilizatório. Vou procurar o que você mencionou. Abraço!

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